Premiê israelense propõe congelamento parcial das construções

Proposta que visa à retomada das negociações de paz com palestinos não inclui assentamentos em terras particulares na Cisjordânia

iG São Paulo |

AP
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, dá coletiva em sua residência em Jerusalém (15/9)
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, concordou com um congelamento limitado da colonização na Cisjordânia para possibilitar a volta das negociações de paz com os palestinos, paradas há mais de um ano, informou nesta sexta-feira o jornal Ha'aretz.

Uma fonte do governo israelense afirmou à publicação que a proposta foi apresentada ao presidente palestino, Mahmud Abbas, pela ministra de Relações Exteriores colombiana, Maria Angela Holguín. Maria Angela, que esteve na região entre segunda e quinta-feira, se reuniu com os dois líderes em uma discreta missão a pedido do presidente Juán Manuel Santos.

A proposta inclui, segundo o jornal, a interrupção das obras públicas e em "terras governamentais", no que seria um "gesto" de Israel para trazer Abbas de volta à mesa de negociações. O fim das contruções de promotores privados em terras de particulares, onde estão localizados muitos assentamentos, entretanto, não entrou na proposta de Netanyahu.

Uma fonte oficial palestina ouvida pela agência Efe informou que 82% das construções nas colônias são particulares e acrescentou que Israel descreve como "construção privada" o que, em muitos casos, são obras feitas por empresas criadas pelo próprio Executivo israelense.

O chefe das negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, afirmou à agência AP que os palestinos recusaram a proposta, porque ela se aplica apenas às construções governamentais. "Se Netanyahu quer retomar as negociações, ele tem que dizer que as contruções irão parar. Ou elas param ou elas não param", disse.

Abbas ainda não respondeu oficialmente a proposta israelense, mas palestinos dizem que não irão negociar com Israel enquanto os assentamentos continuarem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Israel afirma que o tema deve ser tratado na mesa de negociações e não servir como pré condição.

Israel tomou os territórios na Guerra de 1967, e anexou Jerusalém Oriental, ação essa que não é reconhecida pela comunidade internacional (veja cronologia do conflito entre Israel e palestinos) .

Cerca de meio milhão de judeus israelenses vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Palestinos afirmam que a presença deles, particularmente nos arredores de Jerusalém e Cisjordânia, torna impossível a existência de um Estado palestino.

As negociações entre os dois governos estão paralisadas há mais de um ano por conta dos assentamentos. Israel concordou no passado em abrandar as contruções por dez meses, mas os palestinos só concordaram em negociar nas últimas semanas desse período. Na época, autoridades de Israel se recusaram a renovar a desaceleração, apesar da pressão do seu maior aliado, os EUA, para fazê-lo.

A mediação da Colômbia entre israelenses e palestinos teve início no final de setembro na Assembleia Geral da ONU, e se consolidou em outubro durante a visita que Abbas fez a Bogotá para tentar convencer o presidente Santos que seu país, membro não-permanente do Conselho de Segurança, apoie o pedido palestino de ser admitido na organização como Estado de pleno direito.

Abbas entregou o requerimento oficial de adesão à ONU em setembro, sofrendo uma intensa pressão dos EUA e de outros países ocidentais para não fazê-lo. Segundo o governo americano, que já afirmou que vai vetar a resolução - uma vez que é um dos cinco membros do Conselho de Segurança com poder para tal - a proposta palestina na ONU seria uma decisão unilateral que vai de encontro às negociações de paz com Israel.

Aliado dos EUA e de Israel, com boas relações no lado palestino, o presidente colombiano rejeitou o pedido de Abbas, mas ofereceu seus "bons ofícios" para buscar uma saída, em uma iniciativa que conta com o aval da secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Nos últimos dez dias, além da missão de Maria Angela Holguín, Santos falou por telefone com Abbas, Netanyahu e seu ministro da Defesa, Ehud Barak. Israel também aprovou a mediação colombiana em um encontro que o premiê israelense teve com o presidente em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, informou o jornal Ha'aretz.

Na terça-feira, em reunião com o líder palestino, Maria Angela também propôs uma reunião secreta com Netanyahu, e Abbas respondeu que não se opõe em reatar o diálogo. No entanto, segundo o palestino, Israel deverá se comprometer com uma série de medidas sobre a construção nos assentamenos, que embora "simbólicas", segundo o jornal, o permitam apresentá-las para seu povo como uma conquista.

Em sua reunião da quarta-feira com o primeiro-ministro israelense, a chanceler colombiana disse ter achado Abbas desanimado. De acordo com ela, segundo o jornal, Abbas tinha falado sobre uma possível renúncia em três meses, se não houver nenhum avanço nas negociações ou no pedido que apresentou à ONU. Holguín pediu ao premiê israelense um gesto simbólico relacionado aos assentamentos, e ele a surpreendeu com a proposta de parar a construção pública, mas se negou a aplicar uma nova moratória às construções privadas.

Paralelo ao impasse nas negociações de paz, o governo israelense e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza e é opositor ao Fatah de Abbas, negociaram na semana passada a libertação do soldado Gilad Shalit, há cinco anos sob poder do grupo, em troca de 1.027 prisioneiros palestinos.

A primeira fase do acordo, que previa a soltura de Shalit e a libertação de 477 presos, foi concluída na última terça-feira , e, segundo analistas, pode garantir aumento da popularidade do Hamas junto ao povo palestino e aumentar sua legitimidade.

Com AP, EFE e AFP

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