Premiê israelense pede encontro com líder palestino em Nova York

Abbas confirmou a Ban Ki-moon sua intenção de apresentar na sexta-feira um pedido de adesão plena e total à ONU

iG São Paulo |

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se disse "interessado" nesta segunda-feira em um encontro com o presidente palestino Mahmud Abbas durante a Assembleia Geral da ONU nesta semana em Nova York, segundo um comunicado de seu gabinete.

"O primeiro-ministro está interessado em um encontro com o presidente da Autoridade Palestina em Nova York", indica o comunicado publicado a alguns dias do pedido de adesão total de um Estado palestino à ONU, que Mahmud Abbas deve apresentar na sexta-feira. Na ocasião, ele deverá reivindicar a admissão de um Estado da Palestina dentro das fronteiras do dia 4 de junho de 1967, que inclui a Cisjordânia, a faixa de Gaza e Jerusalém Oriental como capital.

"Peço ao presidente da Autoridade Palestina que abra negociações diretas em Nova York, que continuarão depois em Jerusalém e Ramallah", na Cisjordânia, acrescentou o comunicado.

AP
Presidente palestino, Mahmud Abbas, cumprimenta o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a 66ª sessão da Assembleia Geral

De acordo com a CNN, ainda não está claro se o presidente palestino irá responder ao pedido de Netanyahu. Abbas, que chegou nesta segunda-feira a Nova York, confirmou ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sua intenção de apresentar na sexta-feira um pedido de adesão plena e total à ONU , segundo o porta-voz de Ban, Martin Nesirky.

Nabil Shaath, assessor de Abbas, informou à Associated Press que o líder palestino afirmou a Ban Ki-moon durante o encontro que irá apresentar uma carta a ele pedindo a adesão na sexta, antes de seu discurso na Assembleia Geral. Shaath disse que o secretário-geral prometeu "acelerar a discussão quanto ao requerimento".

O governo israelense, assim como os Estados Unidos, se opõem à iniciativa de Abbas , ao denunciar uma "iniciativa unilateral" por considerar que um Estado palestino não pode ser criado se não for com base em um acordo de paz com Israel. Os Estados Unidos já afirmaram reiteradas vezes que têm intenção de vetar a iniciativa , quando ela for apresentada ao Conselho de Segurança da ONU.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta segunda-feira em Nova York que os EUA estão preparados para um esforço diplomático "extremamente intenso" para evitar confrontos a respeito da solicitação de adesão da Palestina à ONU. "Mantemos contatos diplomáticos extremamente intensos não apenas com Israel e Palestina, mas também com todos os países envolvidos que estão presentes aqui na Assembléia Geral" da ONU, revelou Clinton.

"Continuamos acreditando que a única solução para a criação de dois Estados é por meio de negociações", completou a secretária. Apesar disso, Abbas anunciou na sexta-feira, e confirmou na reunião com Ban ki-moon, que entrará com o pedido para ser membro pleno da ONU.

Uma outra alternativa possível para Abbas seria recorrer à Assembleia Geral para buscar reconhecimento, porém, se dois terços dos países membros aprovassem a resolução - o que seria bem provável que acontecesse -, a Palestina seria considerada apenas um "país observador".

Nesta segunda, Abbas afirmou que os palestinos devem esperar "tempos muito difíceis" após o pedido de adesão de seu Estado à ONU. "Depois do dia 23 de setembro, as coisas ficarão muito difíceis", declarou Abbas durante a viagem de Amã, na Jordânia, a Nova York, nos Estados Unidos, onde acontece a Assembleia Geral da ONU.

Questionado sobre se tinha recebido ameaças de autoridades americanas que tentam impedir a campanha na ONU, o líder respondeu: “Não é uma questão de ameaças, mas eles disseram que as coisas serão bem difíceis depois”, afirmou. “Não sabemos até que ponto. Saberemos depois.”

"Nosso passo não é um salto no vazio. Procuramos nossa independência e levantamos esta questão diante da comunidade internacional. Quando nos darão o direto de um Estado?" questionou, fazendo um apelo para que Israel não deixe "passar a oportunidade para a paz".

Netanyahu deve viajar nesta terça-feira a Nova York para manifestar a "verdade" de Israel frente à reivindicação palestina.

Ele deve se reunir na quarta com o presidente americano Barack Obama, que chegou a Nova York na tarde desta segunda, e fará um discurso na sexta-feira na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, no mesmo dia do presidente palestino.

Um esforço diplomático tenta evitar o pedido palestino nas Nações Unidas. No domingo, líderes do Quarteto do Oriente Médio (Estados Unidos, ONU, Rússia e União Europeia) se reuniram em Nova York, mas não publicaram nenhum comunicado sobre o assunto.

Tony Blair, enviado especial do Quarteto, assegurou que as negociações devem continuar até o último minuto para tentar convencer os palestinos a abandonar a campanha

"Acredito que existe um meio para evitar um confronto", declarou Blair, em entrevista à rede ABC. "A única maneira para que consigam o reconhecimento de um Estado palestino é passando por negociações.”

* Com AFP e AP

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