Premiê israelense cria comissão para negociar com manifestantes

Cerca de 300 mil saíram às ruas no sábado para protestar contra impostos, altos preços das moradias e salários baixos

iG São Paulo |

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou neste domingo a criação de uma comissão de ministros, observadores e analistas para negociar com os representantes de um dos maiores protestos da história do país, que no sábado levou cerca de 300 mil manifestantes às ruas.

"Não podemos ignorar as vozes que vêm do povo. Daremos soluções reais, não mudanças cosméticas", declarou o premiê, no início da reunião semanal de seu gabinete, segundo a transcrição de suas palavras divulgada por seu escritório.

AP
Premiê israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou comissão após reunião semanal em seu gabinete, em Jerusalém
Em discurso mais longo que o habitual, Netanyahu insistiu na seriedade de sua intenção de promover mudanças "reais" que permitam à população se beneficiar do crescimento econômico, mas também lembrou da impossibilidade de "responder a todas as reivindicações", da dificuldade de "construir uma economia" e do contexto de crise global. "Não podemos agradar a todos, mas manteremos um verdadeiro diálogo", esclareceu o premiê.

Segundo o líder, a comissão terá de "oferecer muitas propostas em um breve período de tempo", em quatro âmbitos principais de trabalho: mudar a ordem de prioridades, a política impositiva, o aumento do acesso aos serviços sociais e a melhora da concorrência e eficiência nos mercados.

A comissão, cuja formação havia sido anunciada na reunião semanal anterior do Executivo, contará com 15 ministros e será liderada pelo acadêmico Manuel Trachtenberg, presidente do Comitê de Orçamento e Planejamento do Conselho de Educação Superior.

Trachtenberg reconheceu que assume o cargo com "grande entusiasmo em conseguir uma mudança real". Sua incumbência é lançar uma mesa de debates sobre os assuntos abordados pelos manifestantes, que se queixam do aumento do custo de vida.

Os protestos começaram no dia 14 de julho, quando manifestantes acamparam em Tel Aviv , revoltados com os preços de moradia. Desde então, o movimento foi ganhando adesões entre a população.

Os manifestantes reivindicam uma emenda à lei de construção civil que obrigue as empresas a construir "casas acessíveis", um corte gradual dos impostos indiretos, a valorização dos processos de privatização em curso e aumento do salário mínimo à metade do salário médio, que atualmente gira em torno de 8.698 shekels (cerca de R$ 4 mil).

Eles também demandam um aumento do número de fiscais trabalhistas, bombeiros, policiais, professores e assistentes sociais no quadro de funcionários públicos, além de uma redução do número de alunos por sala de aula nas escolas do Estado.

As manifestações de sábado foram convocadas em parte pelo Facebook, onde um ativista pediu apoio para protestar contra o alto preço de laticínios.

Prazo

A nova comissão apresentará suas recomendações dentro de um mês ao gabinete econômico-social, presidido pelo ministro das Finanças, Yuval Steinitz. Caberá a ele propor soluções a Netanyahu e ao conjunto do governo israelense.

Dois ministros do partido direitista Likud, liderado por Netanyahu, serão observadores nas negociações: Limor Livnat (Cultura e Esportes) e Michael Eitan (Serviços Públicos).

Neste domingo, o jornal israelense Haaretz revelou que, nos últimos dias, o premiê israelense entrou pessoalmente em contato com pelo menos cinco economistas do setor privado ou de universidades para convidá-los a integrar a comissão.

O principal partido da oposição, o Kadima (centro-direita) da ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, considera a comissão um "engano" com o qual Netanyahu "busca obstinadamente demonstrar que o protesto não poderia ter menos importância para ele", além de "oferecer o mesmo que antes, em vez de entender a necessidade de uma mudança real".

Já o atual ministro das Relações Exteriores, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, convocou uma entrevista coletiva para falar sobre o assunto, na qual alertou contra uma redução do orçamento militar para responder às necessidades sociais.

*Com EFE e informações da reportagem de Nahum Sirotsky

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