Premiê iraquiano pede apuração manual de votos; Comissão Eleitoral rejeita

Bagdá, 21 mar (EFE).- O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, pediu hoje que os votos das eleições legislativas de 7 de março sejam recontados manualmente, mas a Comissão Eleitoral considerou desnecessária a medida, que pode atrasar ainda mais o anúncio dos resultados finais.

EFE |

A queda-de-braço entre o premiê e as autoridades eleitorais, que até agora vinham sendo elogiadas pelo Governo, gera dúvidas em relação ao pleito, considerado essencial para o amadurecimento político e democrático do Iraque.

Maliki pediu a recontagem manual faltando pouco para a Comissão Eleitoral encerrar a apuração provisória dos votos, que, coincidência ou não, situa o grupo do primeiro-ministro na segunda posição, cerca de 7 mil votos atrás da coalizão opositora Al Iraqiya.

Em um comunicado divulgado hoje, Maliki diz pedir a contagem manual como responsável pelo Governo e "comandante-em-chefe das Forças Armadas", alusão que contrasta com a discrição mantida pelos militares desde o pleito de 7 de março.

Segundo o primeiro-ministro, a apuração manual dos votos é importante "para conservar a estabilidade política e evitar a desestabilização da segurança e o retorno da violência, para cujo controle foram necessários muito esforço, sangue e sofrimento".

Nas eleições parlamentares, cerca de 12 milhões de iraquianos foram exercer seu direito ao voto. Ontem, a Comissão Eleitoral anunciou que já havia apurado 92% das urnas e que estava perto de encerrar a apuração.

Neste domingo, porém, Maliki disse que "vários grupos políticos" estavam exigindo a "recontagem manual dos votos".

"Como autoridade executiva direta da política do país e como comandante-em-chefe das Forças Armadas, peço à Comissão Eleitoral que responda de maneira imediata às exigências destes grupos políticos", afirmou o premiê.

Em uma primeira reação, o presidente da Comissão Eleitoral, Faray al-Haydari, disse que não considerava necessário recontar os votos em todo o país, mas só nos centros onde teriam sido detectadas irregularidades.

"Estranhamos os pedidos para a recontagem dos votos. Entregamos aos grupos políticos uma cópia dos resultados dos centros eleitorais. Estes grupos devem revisar e comprovar os resultados antes de pedir uma apuração", afirmou Haydari.

O presidente da Comissão Eleitoral destacou que, se não houver diferenças após essa comparação, "não será preciso contar os votos uma segunda vez".

Até o momento, o pedido de Maliki só foi endossado pelo presidente iraquiano, Jalal Talabani, que tem menos funções executivas que o primeiro-ministro.

Talabani pediu a apuração manual dos votos em várias províncias - sem especificar quais - "para evitar o surgimento de qualquer dúvida e confusão" em relação ao processo eleitoral.

Assim como Maliki, Talabani, um líder curdo, baseou seu pedido no fato de "muitos grupos políticos", também não identificados, terem expressado seu interesse em uma apuração manual.

A oposição iraquiana, e especialmente a coalizão Al Iraqiya, desde o começo da operação vem alertando para a possibilidade de a aliança governista tentar uma fraude para se manter no poder no caso de os resultados não lhe forem favoráveis.

Dois dias antes do pleito, um dos líderes da Al Iraqiya e também vice-presidente do país, o sunita Tareq al-Hashemi, chegou a dizer que temia que o Governo pudesse fazer uso de armas para evitar uma alternância no poder.

"O partido governista, que, contra a Constituição e a Lei, monopoliza o controle das decisões militares e de segurança, poderia se aventurar em usar a força militar para obstaculizar a alternância política pacífica", afirmou Hashemi na ocasião.

De acordo com a apuração provisória dos votos, a Al Iraqiya, liderada pelo ex-primeiro-ministro Ayad Allawi, se mantém à frente da coalizão Estado de Direito com uma vantagem de 7.928 votos.

Segundo estes resultados, a Al Iraqiya recebeu o apoio de 2.543.632 eleitores, e a aliança Estado de Direito, o de 2.535.704.

A Comissão Eleitoral não disse como estes números se traduzem em cadeiras, mas, de acordo com os cálculos da imprensa iraquiana, se a atual diferença se mantiver, Maliki elegeria 91 deputados, e a Al Iraqiya, 88. EFE am/sc

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