Premiê iraquiano fixa reconciliação como uma de suas metas

Bagdá, 7 mar (EFE).- O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, fez hoje uma chamada à unidade e reconciliação para abrir um novo capítulo no Iraque e consolidar os benefícios da estabilidade política alcançada nos últimos meses.

EFE |

"A reconciliação nacional passou a ser um princípio do qual dependemos", disse Maliki, em discurso em uma conferência de tribos e clãs do Iraque, inaugurada em Bagdá com a participação de cerca de 700 chefes de tribos xiitas, sunitas, curdas e turcomanas.

"Esta conferência - acrescentou - é uma mensagem clara a favor da reconciliação e da unidade. É uma mensagem a todo o mundo de que há um novo Iraque, e da grande mudança que aconteceu no país".

O chefe do Governo iraquiano, claro vencedor das eleições provinciais de 31 de janeiro, elogiou o papel desempenhado pelas tribos na luta contra o terrorismo.

"Com seu esforço, foram alcançadas a estabilidade e a segurança, e fizeram fracassar todas as tentativas que tinham como objetivo dividir os iraquianos", disse o primeiro-ministro, em seu discurso diante dos líderes tribais.

Maliki afirmou também que a discriminação religiosa ou étnica acabou.

"O Iraque será forte enquanto for um país onde vivam em paz e prosperidade xiitas, sunitas, curdos, cristãos e turcomanos. Agora, pela primeira vez, todos sentem que são iraquianos", disse.

Na sexta-feira, Maliki disse, em outra reunião com líderes tribais, que os esforços de reconciliação devem incluir também os antigos partidários do regime de Saddam Hussein.

"Devemos mostrar tolerância com os que estavam errados ou aqueles aos quais as circunstâncias os forçaram a apoiar o regime extinto, mas que agora são também filhos do Iraque", afirmou o primeiro-ministro.

Maliki insistiu hoje em que, sem diálogo entre todas as partes do Iraque, o país "não chegará a nenhum lado".

"Não temos opção, exceto o diálogo, porque a alternativa é o conflito que não beneficia a ninguém", disse o chefe do Governo.

Representando as tribos, Nayef al-Ansar pediu o fim da marginalização e do sectarismo, da corrupção administrativa, e o combate ao desemprego, que afeta uma amplo setor da população.

Também, alinhado à mensagem de ontem de Maliki, Ansar pediu o retorno dos deslocados, os ex-militares do regime de Saddam Hussein.

A conferência tribal tem como meta criar um conselho nacional de chefes de tribos e clãs iraquianos.

Outros representantes dos clãs curdos e turcomanos concordaram em seus discursos na necessidade de colocar fim à marginalização dos grupos étnicos minoritários, a fim de facilitar o processo de reconciliação e união nacional.

O jornal iraquiano "Al-Sabah" informa hoje que as autoridades iraquianas abriram um diálogo com grupos armados para que se reinsiram na sociedade e no processo político, dentro do plano de concórdia nacional.

O dirigente do partido governante Dawa, Hassan al-Sanid, disse ao jornal que essas conversas contam com a participação de ex-membros do ex-governante partido Baath, que permanecem na clandestinidade dentro do Iraque e exilados fora do país.

"Só serão excluídos do diálogo todos os que tiverem as mãos manchadas com o sangue do povo iraquiano", disse o político.

Sanid disse que essa iniciativa ocorre dentro da reativação do processo de reconciliação, que incluirá a realização de várias conferências. EFE am-aj/an

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