Premiê iraquiano critica vizinhos árabes por falta de apoio

Por Rania El Gamal e Ulf Laessing CIDADE DO KUWEIT (Reuters) - O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, criticou na terça-feira algumas nações vizinhas por não aprofundarem a colaboração na área de segurança com os iraquianos ou por não cancelarem dívidas do país agora que Saddam Hussein não está mais no poder e o Iraque não é mais uma ameaça para a região.

Reuters |

Maliki não citou nenhum país especificamente nas declarações feitas durante um encontro no Kuweit com ministros das Relações Exteriores da região e de potências ocidentais, mas as declarações dele pareciam dirigidas aos Estados sunitas que na área de segurança colaboram pouco com o governo do Iraque, atualmente liderado por xiitas.

Segundo o premiê, o Iraque é hoje um país totalmente diferente daquele comandado por Saddam, que dirigiu a nação com mão de ferro por décadas até ser deposto por forças lideradas pelos EUA, em 2003.

'O Iraque de hoje é diferente do antigo Iraque que agrediu seus vizinhos', disse Maliki, pedindo que esses países abram embaixadas em Bagdá.

'Para nós, é difícil compreender por que os laços diplomáticos não foram retomados com o Iraque. Muitos outros países estrangeiros colocaram missões diplomáticas em Bagdá não obstante a preocupação com a segurança de seus funcionários', afirmou o premiê.

Nenhum embaixador de um país sunita continuou lotado em Bagdá desde que o enviado do Egito foi sequestrado e morto pouco após chegar à cidade, em 2005.

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse que o Iraque, que mantém laços cada vez mais profundos com o Irã (um país não-árabe), estava sendo reintegrado à vizinhança árabe. 'Conclamamos os vizinhos do Iraque a aprofundarem os laços', disse.

A Arábia Saudita e o Barein prometeram abrir embaixadas em Bagdá

O premiê afirmou ainda esperar que as dívidas externas de seu país sejam perdoadas.

Parte das dívidas do Iraque foi cancelada, mas algo entre 56 bilhões e 80 bilhões de dólares continua a ser cobrado. E os países do golfo Pérsico são os credores de mais de metade desse valor.

Ali al-Dabbagh, porta-voz do governo iraquiano, afirmou que o emir do Kuweit, Sabah al-Ahmad al-Sabah, havia concordado com criar comissões encarregadas de estudar a questão sobre reduzir o valor das indenizações devidas pelo Iraque devido à Guerra do Golfo (1991).

(Reportagem adicional de Sue Pleming)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG