Premiê iraquiano acha que poderão controlar situação sem EUA

Sydney (Austrália) - O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, disse hoje que, apesar dos mais recentes atentados em seu país, as forças de segurança iraquianas poderão controlar a situação após a retirada das tropas dos Estados Unidos.

EFE |

"Acho que os iraquianos serão capazes de controlar a situação por si próprios", afirmou Maliki, durante uma entrevista coletiva realizada em Canberra junto com o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, com quem acabava de se reunir, no começo de uma visita oficial.

Maliki destacou que a preparação operacional e de inteligência dos corpos de segurança iraquianos melhorou notavelmente.

"Os extremistas da Al Qaeda e os terroristas no Iraque perderam a capacidade de enfrentar e desafiar as forças de segurança do Iraque, apesar dos atentados ocorridos e do grande número de vítimas", disse Maliki.

O governante iraquiano se referia aos dois ataques com bomba que deixaram mais de 60 mortos em Bagdá esta semana.

O presidente americano, Barack Obama, anunciou em 27 de fevereiro o fim da missão de combate no Iraque e a retirada gradual de 90 mil0 tropas de combate até 31 de agosto de 2010.

Os Estados Unidos deixarão no Iraque entre 35 mil e 50 mil soldados de apoio às forças iraquianas.

"As relações de segurança com o Iraque continuam importantes, ainda temos um pequeno número de tropas no Iraque, ainda temos forças para defender nossa embaixada em Bagdá e, certamente, ainda temos nossa fragata no Golfo", disse Rudd, que, pouco após chegar ao cargo, em dezembro de 2007, cumpriu sua promessa eleitoral de retirar as tropas australianas de território iraquiano.

"Mas hoje também concordamos em abrir uma nova página nessa relação. O primeiro-ministro e eu decidimos que é o momento de construir uma relação forte baseada em nossos amplos vínculos econômicos e comerciais", disse Rudd.

O premiê australiano disse que seu Governo apoia o pedido do Iraque à ONU para que suspenda as sanções que impôs durante o regime de Saddam Hussein.

Os dois primeiros-ministros expressaram seu interesse em fortalecer a troca comercial e os investimentos bilaterais.

O Governo da Austrália reforçará sua assistência ao desenvolvimento civil do Iraque com uma contribuição de 160 milhões de dólares australianos (US$ 104,1 milhões) em áreas como agricultura, educação e administração de Justiça.

O ministro de Assuntos Exteriores australiano, Stephen Smith, apontou a possibilidade de que se possa anunciar durante esta visita mais ajuda para o Iraque.

A Austrália compartilhará sua experiência no setor agrícola e de recursos, especialmente em petróleo e gás, e enviará um comissário de comércio ao país árabe.

O setor privado australiano também expressou seu interesse em investir na construção de hospitais e de instalações de pesquisa científica em solo iraquiano.

O Iraque deseja também que a quantidade de trigo comprada anualmente da Austrália aumente até 1 milhão de toneladas, a metade do que o regime de Saddam Hussein comprava e o triplo do adquirido no ano passado.

A Austrália vendeu ao Iraque 348 mil toneladas do grão em 2008, o que representou cerca de 90% das exportações australianas ao país asiático.

Maliki e Rudd anunciaram que o ministro da Agricultura australiano, Tony Burke, viajará ao Iraque à frente de uma delegação no final deste ano.

Esta visita do primeiro-ministro iraquiano, que começou hoje e, entre outros frutos, produzirá a assinatura de um memorando de entendimento que impulsionará os laços bilaterais, continuará amanhã em Sydney e terminará no domingo.

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