Premiê irá à ONU para marcar oposição de Israel à adesão palestina

Netanyahu confirma que ele, e não Peres, comparecerá à Assembleia-Geral em que palestinos devem tentar reconhecimento de Estado

iG São Paulo |

AP
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, dá coletiva em sua residência em Jerusalém
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta quinta-feira que discursará na próxima semana na ONU para apresentar as objeções de Israel à demanda de adesão de um Estado palestino , e pediu aos palestinos que negociem a paz com seu país em vez de pleitear unilateralmente o reconhecimento de um Estado.

"Decidi transmitir essas mensagens irmãs, de negociações diretas pela paz e da busca pela paz", disse Netanyahu. "Israel quer a paz e tenta negociar há dois anos e meio. Sabemos que a paz depende de um reconhecimento (mútuo) e da segurança. Essa é a mensagem que tenho a intenção de transmitir à Assembleia-Geral das Nações Unidas na próxima semana", completou.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, afirmou na quarta-feira que "não há recuo" nos planos para solicitar a adesão à ONU, mesmo sem um acordo prévio com Israel, já que as negociações diretas foram suspensas no ano passado em meio a divergências sobre a ampliação dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

Os EUA ameaçam usar seu poder de veto no Conselho de Segurança contra a adesão palestina à ONU, argumentando que a criação do Estado palestino deve ser resultado de uma negociação com Israel. Diplomatas dos EUA e da Europa estão na região para tentar demover os palestinos da sua iniciativa .

Um assessor de Netanyahu disse que o pronunciamento dele pode ocorrer no dia 23, quando também pretende se reunir com o presidente dos EUA, Barack Obama, e com sua secretária de Estado Hillary Clinton.

Netanyahu admitiu que há na Assembleia-Geral um clima de simpatia pela causa palestina. "Não é um fórum especialmente simpático ao Estado de Israel, não é um fórum onde receberemos muitos aplausos. Mas acho que nesse fórum também é importante que o primeiro-ministro de Israel apareça e declare as coisas tais quais elas são."

Nas últimas semanas, foi cogitada a hipótese de que o presidente de Israel, Shimon Peres, fosse enviado para representar o país na Assembleia por ter uma melhor imagem no contexto internacional. No entanto, o chefe do Executivo israelense decidiu representar pessoalmente seu país.

Pedido de adesão

O presidente palestino, Mahmud Abbas, discursará no plenário das Nações Unidas em 23 de setembro, quando defenderá a aceitação de um Estado palestino como membro pleno da organização multilateral com as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967. "O presidente apresentará a solicitação às 12h30 (13h30 em Brasília), exceto no caso de uma proposta crível para a retomada das negociações", disse o ministro palestino das Relações Exteriores, Riyad al-Malki, em referência aos contatos em curso entre EUA e países europeus.

Na terça-feira, um membro da Liga Árabe disse que os palestinos pensavam em buscar o reconhecimento da ONU como Estado por meio da Assembleia-Geral, e não pelo Conselho de Segurança. Como uma maioria de dois terços indica ser favorável à medida na Assembleia-Geral, os palestinos obteriam uma vitória na votação e garantiriam um embaraço a Israel. A vitória, porém, seria limitada, porque o reconhecimento seria apenas como Estado não-membro, sem direito a voto. 

Nesta quinta-feira, porém, Malki disse que os palestinos planejam tentar a adesão total, com direito a voto, que só pode ser conferida pelo Conselho de Segurança (composto por 15 membros, dos quais cinco com poder de veto). Recorrer ao órgão colocaria os EUA na desconfortável posição de vetar o esforço palestino, causando danos na diplomacia americana no mundo árabe.

A atividade diplomática é intensa para evitar esse desfecho e nesta quinta-feira a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, reuniu-se em Jerusalén pela segunda vez com Netanyahu antes de retornar a Bruxelas. Na quarta-feira, Ashton decidiu prolongar a estada em Israel para continuar com as consultas. Ela tenta obter uma solução de compromisso para a retomada das negociações.

Representantes americanos - o emissário para o Oriente Médio David Hale e o conselheiro especial do presidente Barack Obama, Dennis Ross -, também estão na região com o objetivo de tentar convencer os palestinos a não apresentar a demanda. Os dois devem se reunir com Abbas nesta quinta-feira.

Previamente, o vice-ministro israelense das Relações Exteriores, Danny Ayalon, advertiu que um pedido de adesão à ONU de um Estado palestino estabeleceria o fim de todos os acordos.  "Se os palestinos adotarem uma ação unilateral, isso significaria a anulação de todos os pactos, liberando Israel de todos os compromissos. Os palestinos terão a inteira responsabilidade", disse à radio estatal. O vice-chanceler se negou, no entanto, a detalhar as medidas de represália que seriam adotadas por Israel.

Os palestinos aspiram a estabelecer um Estado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com capital em Jerusalém Oriental, territórios ocupados por Israel desde 1967.

*Com Reuters, EFE e AFP

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