Premiê francês defende atuação de agências contra suspeito de ataques

François Fillon diz que governo não tinha base legal para prender Mohamed Merah antes de atentados que mataram sete

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da França, François Fillon, fez nesta sexta-feira uma forte defesa da atuação das agências de inteligência do país. O governo enfrenta críticas sobre possíveis falhas de vigilância que teriam permitido que Mohamed Merah , monitorado havia anos pelas autoridades francesas, cometesse um ataque a uma escola judaica e dois atentados contra militares .

De acordo com Fillon, não havia base legal para prender Merah antes dos ataques que deixaram sete mortos . “As agências fizeram seu trabalho perfeitamente”, disse o premiê, em entrevista a uma rádio francesa. “Não havia evidência que sugerisse que ele era um homem perigoso. Pertencer a uma organização salafista não é crime. Não podemos confundir fundamentalismo religioso com terrorismo, ainda que alguns elementos unam as duas coisas .”

Leia também: Vigilância é questionada e governo fica na defensiva na França

AP
Policial coleta evidências no apartamento em que Mohamed Merah, suspeito de ataques a tiros, este cercado por 32 horas

Observadores internacionais e críticos da direita francesa pediram um inquérito sobre possíveis falhas de inteligência em relação a Mohammed Merah, morto por um franco-atirador na quinta-feira, após 32 horas de cerco policial .

Marine Le Pen , líder do partido de direita Frente Nacional e candidata às eleições presidenciais, disse que os assassinatos de Toulouse demonstram que a França "subestimou perigosamente a ameaça do extremismo muçulmano". O candidato socialista à presidência, François Hollande, também criticou a atuação das agências.

Saiba mais: Veja cronologia dos ataques e do cerco a suspeito na França

Segundo autoridades, Merah tinha sido interrogado em novembro de 2011 para explicar suas viagens ao Afeganistão e ao Paquistão. Autoridades americanas disseram que o suspeito estava na chamada “no-fly list”, uma relação de pessoas proibidas de voar para os Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, disse entender "que as pessoas questionem se houve falhas de inteligência”. “Precisamos de clareza neste assunto", afirmou.

O ministro do Interior, Claude Gueant, defendeu o histórico de investigações da agências de inteligência, dizendo que extremistas que atuam sozinhos são mais difíceis de monitorar. "Os chamados lobos solitários são adversários desafiadores", disse.

Repressão ao terrorismo

Segundo o promotor François Molins, Merah teria sido morto ao tentar pular por uma janela do apartamento onde ficou cercado, e invadido pela polícia na quinta-feira. "O exame do corpo mostra que ele recebeu um tiro na cabeça, que estava usando um colete à prova de balas e que tinha uma arma coberta por um par de jeans", disse Molins. "Material para fabricar bombas de gasolina foi encontrado em sua varanda."

Molins disse ainda que uma arma Colt 45 foi achada perto do corpo de Merah e que ele teria dado pelo menos 30 tiros assim que os policiais invadiram o apartamento. O promotor também confirmou que Merah filmou os três ataques .

Horas antes, o presidente Nicolas Sarkozy disse em um pronunciamento na televisão que tudo havia sido feito para levar o franco-argelino à justiça, mas que foi decidido que não se deveria por mais vidas em risco.

Ele também prometeu repressão àqueles que visitem sites de " ódio ou terrorismo " na internet ou viajassem para outros países para serem "doutrinados" no terrorismo.

Com BBC

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