Premiê do Japão tenta reeleição desacreditado pelo povo

Japão, 29 ago (EFE).- Taro Aso, primeiro-ministro japonês há menos de um ano, tentou se tornar um líder consistente por meio de uma política econômica ambiciosa que não convenceu os japoneses.

EFE |

Por causa de Aso, nas eleições legislativas de amanhã no Japão, o Partido Liberal-Democrático (PLD) pode deixar o poder pela primeira vez em 54 anos, embora o chefe do Executivo esteja lutando para ser reeleito para uma legislatura completa.

O apoio popular ao PLD, no entanto, despencou desde o fim da era de Junichiro Koizumi (2001-2006), um dos políticos mais carismáticos do Japão, que teve três primeiros-ministros nos últimos três anos.

Apesar de o atual primeiro-ministro ter conseguido seguir adiante com suas propostas, acabou perdendo credibilidade por suas gafes e estilo eloquente.

Por falar muito, este fanático por mangás se tornou a mais nova vítima da política japonesa. Mas também é verdade que ele teve que enfrentar a maior crise econômica pela qual o Japão passou desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Aso, que nasceu numa das famílias mais influentes e ricas do Japão, ficou marcado como um nobre consentido que tentou convencer com um estilo franco, mas trôpego.

Entre outras pérolas, o primeiro-ministro disse que os médicos de família não têm bom senso e que os idosos não deveriam se aposentar, já que só sabem trabalhar. Ele também fez brincadeiras sobre o mal de Alzheimer e deu a entender que os japoneses mais velhos têm dificuldades para ler.

Neste ano, a popularidade de Aso chegou a ficar abaixo de 10%, justo quando começou a anunciar medidas de recuperação econômica que não pareciam capazes de abranger a magnitude da crise.

Apesar de a imagem do chefe do Executivo ter melhorado com a proximidade das eleições, parte dos correligionários de Aso o acusam de apenas querer permanecer no poder.

Político veterano e ex-ministro de Assuntos Exteriores nos mandatos de Koizumi e Abe, o atual primeiro-ministro substituiu Yasuo Fukuda à frente do Governo japonês em setembro de 2008.

Aproveitando-se de reformas pendentes e de cúpulas internacionais como a do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia), Aso soube conduzir seu curto mandato, apesar de terem surgido críticas de dentro de seu partido, algo com o que, no entanto, ele soube lidar melhor que seus antecessores.

O chefe do Executivo deveria ter recuperado o cada vez menor apoio ao PLD, mas a apatia dos eleitores em relação à política japonesa, na qual a velha-guarda continua sendo hegemônica, cresceu e ele acabou sendo também o centro das críticas.

Suas gafes verbais, seus ignorados apelos à unidade, a saída de três de seus ministros e a crise econômica o fizeram fracassar em sua tentativa de escorar sua liderança.

Aso prorrogou seu mandato com alterações no orçamento e a aprovação das contas do novo ano fiscal, que mobilizaram um volume recorde de recursos e que se traduziram numa populista entrega de dinheiro aos contribuintes.

Além disso, quis ser o artífice de uma mudança de rumo na economia japonesa que foi profundamente afetada pela recessão global devido à dependência do país em relação às exportações.

No entanto, seu diálogo a favor das energias renováveis, da mudança de modelo empresarial e da cooperação internacional não calou, e as eleições para a Assembleia de Tóquio (onde o PLD perdeu sua maioria pela primeira vez desde os anos 1960) obrigaram Aso a convocar eleições para o fim de agosto.

Os japoneses, cansados do sistema político do país, parecem dispostos agora a uma reviravolta eleitoral histórica, que acabará com o meio século de Governo do PLD. EFE jmr/sc

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