Premiê do Japão renuncia após oito meses no cargo

Líder japonês enfrentava forte pressão por não conseguir cumprir promessa de campanha de retirar de Okinawa base militar americana

iG São Paulo |

Reuters
Yukio Hatoyama anucia sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro
O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, anunciou oficialmente nesta quarta-feira sua demissão depois de alcançar impressionantes níveis de impopularidade em menos de nove meses à frente do país.

O líder japonês enfrentava forte pressão por não conseguir cumprir a promessa de campanha de retirar da ilha de Okinawa a polêmica base americana que existe na região. Hatoyama é o quarto chefe de governo japonês que interrompe seu mandato e mmenos de quatro anos.

Em uma reunião dos principais dirigentes de sua formação, o Partido Democrata do Japão (PDJ), Hatoyama, de 63 anos, também declarou que pediu a demissão do secretário-geral do partido, o todo-poderoso Ichiro Ozawa, envolvido com a justiça por um financiamento suspeito.

"O trabalho do governo não foi compreendido pelo público. Perdemos sua atenção", admitiu, citando os motivos para sua renúncia: a gestão desastrosa da transferência da base americana de Futenma, na ilha de Okinawa (sul), e os escândalos de financiamento oculto que também atingiram seus assessores.

O partido deve eleger o sucessor de Hatoyama na sexta-feira. O atual vice-primeiro-ministro e titular das Finanças, Naoto Kan, de 63 anos, parece ser o candidato com maior possibilidade. Na quarta-feira, Kan se reuniu com Hatoyama e, segundo a imprensa, comunicou sua intenção de apresentar-se à sucessão.

Além de Kan, figuram entre os favoritos a suceder Hatoyama o ministro das Relações Exteriores, Katsuya Okada, de 56 anos, e o ministro do Transporte, Deiji Maehara, de 48 anos.

O novo PDJ se reunirá para eleger seu novo presidente, que será submetido à votação em ambas as câmaras parlamentares ainda na sexta-feira. Na segunda, espera-se que o novo primeiro-ministro apresente sua política e seu novo gabinete.

O governo Hatoyama

Herdeiro de uma rica dinastia político-industrial comparada geralmente aos Kennedy, Hatoyama ganhou as eleições legislativas de agosto passado, que puseram fim a mais de meio século de domínio conservador, e era primeiro-ministro desde 16 de setembro.

A maior crítica dos japoneses é o fato de ter quebrado sua promessa eleitoral de retirar a base Futenma de Okinawa.

Esta renúncia abalou a coalizão governamental tripartite de centro-esquerda formada pelo PDJ e duas formações menores. O Partido Social-Democrata (PSD), oposto à manutenção da base, abandonou o governo na sexta-feira e passou para a oposição.

"A cooperação entre o Japão e os Estados Unidos é indispensável para a paz e a segurança na Ásia do Leste e me vi obrigado a pedir aos habitantes de Okinawa, sentindo muito, que suportem este peso", havia dito.

A pressão aumentava há dias em torno de Hatoyama, cuja popularidade, que no início do mandato era de 70%, estava abaixo dos 20% de opiniões favoráveis. Vários dirigentes reclamavam sua demissão para preservar as possibilidades dos candidatos da maioria nas eleições senatoriais de 11 de julho.

Aludindo às transferências ilícitas de dinheiro na política, Hatoyama destacou a necessidade de "reconstruir um PDJ mais limpo, voltar ao PDJ em que o povo possa confiar".

Dois ex-assessores de Hatoyama foram processados por financiamento oculto no final de 2009, mas a justiça afirmou que ele não estava a par das malversações.

Ozawa, de 67 anos, considerado a eminência parda do PDJ, também esteve envolvido com a justiça várias vezes, sem chegar a ser processado.

Hatoyama deixa um país que, graças ao dinamismo chinês e às medidas adotadas pelo governo conservador anterior, conseguiu sair da recessão em 2008 e 2009, mas que carece de um projeto econômico e se encontra debilitado pela deflação, segundo os analistas.

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