Premiê do Japão diz que prioridade é economia, não eleição

TÓQUIO (Reuters) - O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, disse nesta quinta-feira que sua prioridade é adotar medidas econômicas, e não convocar eleições, conforme se especulou nos seus primeiros dias no cargo. Aso, que assumiu o governo na semana passada, depois da repentina renúncia de seu antecessor, poderia convocar eleições para a Câmara já no mês que vem, na tentativa de recuperar a maioria para aprovar seus projetos.

Reuters |

Mas ele parece cada vez menos propenso a isso, devido às preocupações econômicas -- que se agravaram com a crise financeira nos EUA -- e ao temor de que a sua coalizão perca espaço político.

O gabinete de Aso sofreu a primeira baixa na semana passada, quando o ministro dos Transportes deixou o cargo quatro dias depois de assumi-lo, vitimado por uma série de declarações desastradas. O fato deu à oposição mais munição para cobrar uma eleição.

Favorável à redução de impostos e gastos públicos, como forma de estimular a economia, Aso pediu à oposição que acelere a aprovação de um orçamento extraordinário vinculado a um pacote econômico, preparado ainda por seu antecessor, que deve ajudar consumidores e empresas a enfrentarem a alta nos preços de alimentos e combustíveis.

"Além disso, há muitas questões relacionadas à proteção da subsistência das pessoas e ao cumprimento do papel do Japão na sociedade internacional", disse Aso. "Em vez da manobra política de uma eleição antecipada, quero priorizar a implementação de políticas econômicas e outras."

Ele avisou ainda que, dependendo das circunstâncias, o governo pode determinar novas medidas econômicas.

O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio caiu 1,1 por cento na quinta-feira, apesar da aprovação no Senado dos EUA do pacote de resgate ao setor financeiro. Há dúvidas sobre a aprovação do pacote na Câmara e também sobre sua eventual eficácia sobre as finanças globais.

"As condições financeiras internacionais mudaram dramaticamente desde que decidimos o pacote econômico. Pensaremos de forma flexível sobre a possibilidade de novas medidas depois de avaliar os efeitos dos passos já decididos", afirmou o premiê.

Ichiro Ozawa, líder do Partido Democrático (oposição), acusou o rival Partido Liberal Democrático de ter perdido a capacidade de governar, já que dois premiês seus renunciaram no prazo de um ano. Na quarta-feira, ele defendeu a convocação de eleições antecipadas para que o povo decida sobre um novo mandato.

(Reportagem de Linda Sieg e Yuzo Saeki)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG