Premiê do Japão diz que não renuncia por escândalo de caixa 2

TÓQUIO - O primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, disse nesta quinta-feira que não irá renunciar por causa do indiciamento de dois ex-assessores por formação de caixa-dois, num caso que pode abalar a aprovação ao governo.

Reuters |

As pesquisas mostram que a maioria do eleitorado acha que Hatoyama não deve renunciar, mas que há cada vez mais pessoas descontentes com os rumos do governo, que foi formado há três meses e nesse período já recuou de várias promessas eleitorais custosas e não conseguiu resolver uma disputa com os EUA em torno da localização de uma base naval.

"Sinto uma renovada responsabilidade de cumprir meus deveres como político," disse Hatoyama numa entrevista coletiva organizada às pressas, na qual pediu desculpas à nação.

"Se a situação política se estagnar e muita gente começar a pensar que não dá mais, então eu causaria problema ficando como primeiro-ministro, mas vou trabalhar para que isso não aconteça."

O Partido Democrático, cuja vitória eleitoral neste ano marcou o fim de meio século quase ininterrupto de hegemonia do conservador Partido Liberal Democrata, tentará na eleição de meados de 2010 ampliar sua bancada no Senado para depender menos de dois pequenos parceiros de coalizão.

As pesquisas mostram que os eleitores não ficaram satisfeitos com as explicações de Hatoyama para as doações eleitorais não declaradas. A imprensa vem mostrando repetidamente gravações em que Hatoyama, como membro da oposição, insiste que os políticos são responsáveis por irregularidades cometidas por assessores.

Não há suspeita de corrupção nesse caso, porque a verba, superior a 300 milhões de ienes (3,28 milhões de dólares), partiu da própria fortuna familiar de Hatoyama, segundo a imprensa.

O premiê diz que não sabia do caixa-dois e que vai pagar impostos relativos às doações feitas por sua mãe, que é uma rica herdeira.

"Como não é um caso de corrupção, a forma como o primeiro-ministro Hatoyama lida com este incidente será um teste decisivo, num momento em que crescem as dúvidas sobre a sua liderança, capacidade decisória e habilidade para gestão de crises," disse o pesquisador Tsuneo Watanabe, da Fundação Tóquio.

Kyohei Morita, economista-chefe do Barclays Capital Japan, disse que a oposição do PLD "está fraca demais para obrigar (Hatoyama) a renunciar," e que por isso o premiê deve permanecer no cargo.

Ele previu um limitado impacto financeiro do caso, que no entanto "pode piorar o apoio do eleitorado antes da eleição para o Senado."

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