Premiê do Japão anuncia demissão do cargo

Duramente criticado por resposta a terremoto e tsunami de março, Naoto Kan renuncia ao posto de primeiro-ministro

iG São Paulo |

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, apresentou sua renúncia nesta sexta-feira, após meses de pressão e críticas por sua atuação na crise provocada pello terremoto seguido de tsunami que devastou áreas do país em março.

A renúncia do político, de 64 anos, era esperada e acontece em meio a uma queda no apoio público ao governo. Em junho ele se comprometeu a renunciar se o Parlamento japonês aprovasse três projetos de leis com relação ao orçamento e à energia renovável. Um dos projetos foi aprovado em julho e os outros dois nesta sexta-feira.

Kan disse que, examinando seus quase 15 meses no governo, fez tudo o que pode diante das dificuldades que enfrentou, incluindo o desastre nuclear na usina de Fukushima e disputas políticas que aconteceram até mesmo dentro seu partido.

"Nestas circunstâncias difíceis, acredito ter feito tudo o que eu tinha que fazer. Agora gostaria de ver vocês escolherem alguém respeitável como primeiro-ministro", disse. "Uma vez eleito o novo presidente do Partido Democrático, abandonarei o cargo." O Partido Democrático do Japão possui maioria no Parlamento. Por isso, o novo líder do partido, que será escolhido na próxima segunda-feira, provavelmente se tornará o novo premiê.

A campanha eleitoral começará neste sábado e os candidatos devem realizar um debate no domingo. Seiji Maehara, um ex-ministro do Exterior que defende a busca pelo crescimento antes de aumentar os impostos para restaurar a saúde fiscal do país, é o favorito da população.

Outros possíveis sucessores de Naoto Kan incluem o ministro das Finanças Yoshihiko Noda, o ministro do Comércio, Banri Kaieda, e o ministro da Agricultura, Michihiko Kano.

O novo primeiro-ministro terá que supervisionar o maior esforço de reconstrução no Japão desde a Segunda Guerra Mundial e resolver a crise nuclear de Fukushima, onde vazamentos nos reatores ainda deixam escapar material radioativo.

Reconstrução lenta

O terremoto seguido de tsunami que atingiu o país em março deixou mais de 15.700 mortos e 4.500 pessoas permancem desaparecidas. Os sobreviventes do nordeste do país, região mais atingida pela catástrofe, reclamam da recuperação lenta.

Na usina de Fukushima, três dos seis reatores nucleares derreteram depois que o tsunami e o terremoto de magnitude 9 danificaram os sistemas de resfriamento. É o maior acidente nuclear em uma geração.

A oposição e muitos no próprio partido de Kan disseram que ele não demonstrou liderança durante a crise e demorou para reconhecer a gravidade do desastre. A crise também revelou sérias falhas nos sistemas regulatórios e padrões de segurança da indústria nuclear do país.

Funcionários continuam trabalhando para a desativação da usina em janeiro. No entanto, mais de seis meses após o desastre, muitas das 80 mil pessoas que foram evacuadas da região próxima à usina ainda vivem em abrigos ou habitações temporárias, sem indicação de quando poderão retornar a suas casas.

Kan tomou posse em 8 de junho de 2010, após a renúncia de Yukio Hatoyama. Embora tenha começado seu governo com bons índices de aprovação, sua popularidade foi caindo até despencar com a crise provocada pelo terremoto. Com a renúncia de Kan, o próximo chefe de governo será o sexto primeiro-ministro do Japão em apenas cinco anos.

Com EFE e BBC

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