Premiê do Iraque diz que sunitas aceitam regressar ao governo

Por Ahmed Rasheed BAGDÁ, Iraque (Reuters) - Os partidos que abandonaram o governo iraquiano no ano passado aceitaram fazer parte dele novamente, disse na quinta-feira o primeiro-ministro do país, Nuri al-Maliki.

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A manobra pode significar um avanço político aguardado há muito tempo.

O principal bloco sunita do Iraque, a Frente da Concórdia, disse que pretende submeter uma lista de candidatos para cargos no gabinete de governo dentro dos próximos dias e que poderia voltar a dar apoio a Maliki dentro em breve. A reaproximação com os sunitas tem sido há muito tempo uma meta defendida pelos EUA.

Maliki, no entanto, também repetiu um aviso sobre a necessidade de os grupos militantes deporem suas armas, um sinal de que não deve haver uma reconciliação rápida com o clérigo xiita Moqtada al-Sadr e seu movimento político.

'O primeiro-ministro Nuri al-Maliki disse que a reconciliação mostrou-se bem-sucedida e que todos os blocos políticos voltarão a integrar o governo', afirmou o gabinete do premiê em um comunicado após o dirigente ter se reunido com o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband.

No ano passado, no momento em que o Iraque atravessava o pior momento do conflito entre sua minoria sunita e sua maioria xiita, a Frente da Concórdia abandonou o governo liderado por Maliki, um político xiita.

Os ataques entre esses dois grupos religiosos, porém, diminuíram de forma dramática ao longo do último ano, e a Frente da Concórdia deu sinais de que se aproximava de Maliki ao apoiar as ações repressivas lançadas contra a milícia xiita Exército Mehdi, de Sadr, ações essas iniciadas no mês passado.

Salim al-Jubouri, porta-voz da Frente, disse à Reuters que o grupo pretendia submeter uma lista de candidatos para os cargos no gabinete de governo 'dentro de alguns dias'. A lista então poderia ser apresentada ao Parlamento.

'Estamos muito perto de voltar ao governo', afirmou.

O regresso da Frente significaria unir os líderes de todos os grandes grupos políticos do Iraque (com a exceção de Sadr).

O governo argumenta que a repressão às milícias é uma tentativa de isolá-las antes das eleições provinciais marcadas para outubro.

Sadr tirou seus seis ministros do governo de Maliki um ano atrás depois de o premiê ter se recusado a fixar um cronograma para a retirada das forças norte-americanas. Esse desentendimento aprofundou-se no mês passado quando Maliki determinou as ações repressivas contra o Exército Mehdi.

'Para nós, o governo perdeu sua credibilidade como governo da unidade nacional. Ele não representa todos os grupos religiosos do Iraque e nós não estamos dispostos a ingressar em um governo que é uma ameaça ao novo Iraque', afirmou à Reuters Ahmed al-Masoudi, membro do bloco sadrista no Parlamento.

(Reportagem adicional de Dean Yates, Tim Cocks, Peter Graff e Aseel Kamil)

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