Premiê do Iraque ameaça excluir sunitas do poder

Vice sunita foi acusado de terrorismo. Governo de coalisão está ameaçado apenas uma semana após saída dos EUA do Iraque

Reuters |

A minoria sunita do Iraque rejeitou na quarta-feira uma proposta de diálogo pluripartidário, ignorando a pressão dos Estados Unidos por uma solução para a crise sectária que surgiu após o fim da ocupação militar norte-americana, na semana passada. Em meio a temores de uma caótica fragmentação do país sem a presença das forças dos EUA, o primeiro-ministro Nuri al Maliki, pertencente à maioria xiita, alertou que os sunitas podem ser excluídos do poder se abandonarem a coalizão de governo.

AP
Premiê iraquiano Nuri al-Maliki encontra Obama na Casa Branca em Washington
O principal partido sunita do país, furioso com as acusações de terrorismo imputadas ao vice-presidente do país, sunita , no dia da desocupação norte-americana, rejeitaram o apelo de Maliki por um diálogo nos próximos dias, e prometeram se empenhar para derrubar o primeiro-ministro no Parlamento - algo que dificilmente acontecerá.

A população xiita do Iraque equivale ao dobro da sunita, mas a maioria era oprimida durante o regime do sunita Saddam Hussein, derrubado pelos EUA em 2003. Em 2006-07, o Iraque esteve próximo de uma guerra civil sectária, e a retomada do conflito pode causar constrangimento para o presidente dos EUA, Barack Obama, que disputa a reeleição depois de ter cumprido sua promessa eleitoral de encerrar a ocupação.

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, telefonou na terça-feira para Maliki e para o presidente do Parlamento, sunita, para pressionar as partes a dialogarem. Mas na quarta-feira não houve sinal de reaproximação e não está claro até que ponto a retórica inflamada reflete uma real ameaça à frágil convivência entre xiitas, sunitas e curdos do Iraque.

O vice-presidente Tareq al Hashemi se refugiou na semiautônoma região do Curdistão, e Maliki pediu aos curdos que o entreguem.

O premiê também pediu ao bloco sunita Iraqiya, comandado por Hashemi, que desista de boicotar o Parlamento. "Mas", alertou, "se eles insistirem eles estão livres para isso, e podem se retirar permanentemente do Estado e de todas as suas instituições".

O Iraqiya disse que não vai conversar com Maliki porque "ele representa a principal razão para a crise e o problema, e não é um elemento positivo para uma solução".

Em entrevista a uma TV, homens que se dizem guarda-costas de Hashemi acusaram-no de comandar esquadrões da morte. Hashemi rejeita a acusação, e uma fonte oficial dos EUA disse que provavelmente a denúncia é infundada.

Pelo sistema de divisão de poderes instituído pelos EUA, o Iraque tem um primeiro-ministro xiita, presidente curdo e presidente do Parlamento sunita.

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