Premiê de Israel rejeita críticas a novo plano de moradias

Netanyahu justifica novas construções afirmando que Gilo não é assentamento; comunidade internacional diz que medida afeta diálogo

iG São Paulo |

AFP
O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu (18/9)
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou nesta quarta-feira as reclamações ocidentais e árabes de que o plano de construir 1,1 mil novas casas em Gilo , na terra anexada perto de Jerusalém, complicaria os esforços de paz do Oriente Médio.

"Gilo não é um assentamento nem um posto avançado. É uma vizinhança no coração de Jerusalém a cerca de cinco minutos do centro da cidade", afirmou o porta-voz do premiê, Mark Regev. Gilo foi tomado da Jordânia em 1967, juntamente com Jerusalém Oriente e a Cisjordânia. Mais tarde, Israel anexou Gilo à cidade de Jerusalém, passo que nunca foi reconhecido internacionalmente. O governo israelense argumenta que Gilo não pode ser considerado um assentamento por estar dentro dos limites da cidade.

Em todo plano de paz posto em discussão nos últimos 18 anos, Gilo "continua parte de Jerusalém e, portanto, essa decisão de nenhuma forma contradiz" o desejo atual do governo de Israel de paz com base em dois Estados para dois povos, acrescentou. Netanyahu também enfatizou que a aprovação da construção, anunciada na terça-feira, era uma "decisão planejada preliminarmente".

Os EUA, a Europa e países árabes disseram que o anúncio complicaria os esforços para retomar negociações de paz e afastar uma crise sobre o pedido palestino de adesão plena à Organização das Nações Unidas . O Conselho de Segurança da ONU, que começou a debater o pedido palestino na segunda-feira, o encaminhou nesta quarta ao Comitê de Adesões .

O Reino Unido e a União Europeia pediram que Netanyahu revertesse a decisão, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que a construção do assentamento seria "contraproducente". A Rússia pediu nesta quarta que Israel desista de construir as casas no local. "Essa informação causa uma grande preocupação em Moscou", informou a Embaixada em comunicado.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, entrou com o pedido na ONU na sexta-feira, em uma ação rejeitada por Israel e pelos EUA , que instaram que ele retomasse as negociações com Israel para encerrar o conflito de 64 anos .

Abbas colocou a interrupção da construção de assentamentos israelenses como condição para retomar as conversas, que entraram em colapso há um ano depois que Netanyahu se recusou a estender uma moratória de dez meses sobre a construção.

O chamado Quarteto de mediadores da paz - EUA, União Europeia, Rússia e ONU - já pediu que as negociações comecem dentro de um mês e insistiu que os dois lados não tomem medidas unilaterais que impeçam a obtenção de paz.

Saeb Erekat, negociador-chefe dos palestinos, disse que as novas moradias representavam "1,1 mil nãos ao comunicado do Quarteto".

Confisco de terras palestinas

Nesta quarta-feira, a agência de notícias palestina Wafa informou que o governo de Israel confiscou 80 hectares da aldeia palestina de Beit Umar, na Cisjordânia, para construir uma estrada para uma de suas colônias.

Segundo o porta-voz do Comitê Nacional contra o Muro e os Assentamentos, Mohammed Awad, as autoridades israelenses comunicaram a decisão à prefeitura da aldeia, situada ao sul de Hebron. Parte das terras confiscadas pertence à escola agrícola de Beit Umar.

AP
Homem trabalha em construções em Gilo, enclave judeu em Jerusalém
Com oito quilômetros de comprimento e um e meio de largura, a nova estrada partirá do assentamento de Etzion, atravessando a aldeia palestina. Sua construção está prevista para a próxima semana.

Greve de fome

Milhares de palestinos detidos nas penitenciárias de Israel iniciaram nesta quarta uma greve de fome para denunciar o isolamento carcerário, informou o ministro palestino para os Prisioneiros, Issa Qaraqae. "Posso confirmar que todos os palestinos detidos nas prisões israelenses iniciaram uma greve de fome de três dias, que pode ser prolongada, como advertência à administração israelense", disse Qaraqae.

De acordo com o ministro, cerca de 200 presos da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e outros iniciaram na terça uma greve de fome ilimitada para protestar contra o isolamento contínuo de seu secretário-geral, Ahmad Saadat, há quatro anos", afirmou o ministro palestino.

"Há presos isolados há dez anos", completou Qaraqae, antes de destacar que o protesto também é uma denúncia ao respeito das medidas punitivas contra os prisioneiros. "As autoridades penitenciárias adotaram graves sanções e medidas sem precedentes, provocando a rebelião dos prisioneiros contra todas as regras nas prisões da ocupação", disse o ministro.

Mais de 5 mil palestinos, incluindo 200 menores de idade, estão detidos em Israel, segundo a organização israelense de defesa dos direitos humanos B'Tselem.

*Com Reuters e EFE

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