Premiê de Israel mantém viagem apesar de ataque

Nesta segunda-feira no Canadá, Benyamin Netanyahu reúne-se na terça-feira com o presidente americano em Washington

iG São Paulo |

O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, prosseguirá com sua visita ao Canadá e não voltará a Israel depois do ataque do Exército israelense contra a frota que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza , informou nesta segunda-feira um membro da delegação israelense.

Netanyahu cancelou uma coletiva prevista para o início da manhã, mas deve participar na coletiva conjunta com seu colega canadense Stephen Harper às 11h locais (12h de Brasília).

AP
Uma onda de protestos contra Israel tomou conta do mundo árabe nesta segunda-feira. Na Turquia, homens queimam bandeira israelense
Mais cedo, a rádio pública israelense indicou que Netanyahu poderia interromper a visita ao Canadá e retornaria a Israel, depois do ataque contra a frota humanitária internacional que se dirigia a Gaza, que deixou pelo menos 10 mortos .

Do Canadá, o dirigente israelense se dirige a Washington, onde se reunirá na terça-feira com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.

Ataque

Israel atacou a flotilha para impedir que chegasse à Faixa de Gaza, que está sob bloqueio desde que o grupo islâmico Hamas assumiu o controle do território palestino após expulsar as forças do partido laico Fatah, em 2007.

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

Reuters
Imagem de TV mostra soldados israelenses a bordo de barcos de ajuda humanitária
A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão. A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: “Todo mundo cale a boca!”. Já a TV israelense mostrou imagens em que um ativista parece tentar esfaquear um soldado.

"Segundo um informe preliminar, morreram mais de 10 pessoas", declarou um porta-voz do Exército israelense ao confirmar que o ataque provocou vítimas fatais na flotilha. A imprensa israelense aponta que o número de mortos pode chegar a 19.

Condenação internacional

A comunidade internacional reagiu fortemente contra o ataque de Israel aos navios de ajuda humanitária.

O governo da Turquia advertiu Israel para as "consequências irreparáveis" nas relações bilaterais. "Condenamos energicamente as práticas desumanas de Israel", afirma a chancelaria turca em um comunicado.

Após pedido do governo turco, que é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, o órgão anunciou que se reunirá na tarde desta segunda-feira em uma sessão de emergência para discutir o ataque de Israel contra os navios. Diplomatas disseram à Reuters que o horário da reunião ainda não foi agendado, e não deram maiores detalhes.

A União Europeia (UE) pediu uma "investigação completa" das autoridades israelenses sobre as circunstâncias do ataque e reiterou o pedido de uma abertura "incondicional" de Gaza à ajuda humanitária e ao comércio. A Espanha, que exerce a presidência semestral da UE, convocou o embaixador de Israel para pedir explicações.

O presidente palestino Mahmud Abbas afirmou que o ataque foi "uma matança" e decretou três dias de luto nos territórios palestinos. A Autoridade Palestina exigiu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para debater o ataque e a Liga Árabe qualificou a operação de "crime".

O movimento radical palestino Hamas convocou árabes e muçulmanos a uma revolta diante das embaixadas de Israel.

*Com AFP, EFE, Reuters e BBC Brasil

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