Premiê de Israel está disposto a 'riscos' pela paz, diz Obama

Líder dos EUA quer negociações diretas entre Israel e palestinos antes de expirar congelamento de colônias na Cisjordânia

BBC Brasil |

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira acreditar que Israel tem intenções sérias de retomar as negociações de paz no Oriente Médio. "Acredito que o primeiro-ministro (de Israel, Binyamin) Netanyahu quer a paz. Acredito que ele está disposto a assumir riscos pela paz", disse Obama, após um encontro privado com o líder israelense na Casa Branca.

AP
Primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, reúne-se com o presidente americano, Barack Obama, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington
Obama indicou que os Estados Unidos gostariam de ver negociações diretas entre Israel e palestinos sendo retomadas antes de setembro, quando chega ao fim o período de congelamento parcial na expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia. 

O fim da expansão dos assentamentos é um dos pontos considerados cruciais pelos palestinos para retomar as negociações diretas com Israel, paradas desde dezembro de 2008, quando os israelenses lançaram uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza.

'É o momento'

"Esperamos que o diálogo indireto (mediado pelos Estados Unidos) leve a negociações diretas. E acredito que o governo de Israel está preparado para se comprometer com essas negociações diretas", disse Obama, em uma coletiva ao lado de Netanyahu.

"Minha esperança é de que, uma vez que as negociações diretas tenham começado, bem antes do fim do congelamento (da expansão dos assentamentos), criem um clima no qual todos sintam que há uma maior aposta no sucesso."

O primeiro-ministro israelense disse estar "comprometido com a paz" e acreditar que "é o momento de começar negociações diretas".

"Acho que, com a ajuda do presidente Obama, o presidente (da Autoridade Palestina, Mahmoud) Abbas e eu devemos nos engajar em negociações diretas para chegar a um entendimento político de paz, juntamente com segurança e prosperidade", disse Netanyahu.

No entanto, apesar das declarações e de os dois líderes terem afirmado que conversaram sobre "medidas concretas" a serem tomadas nas próximas semanas, Obama e Netanyahu não deram detalhes sobre como se dariam os avanços rumo às negociações diretas.

Relações normalizadas

Os dois líderes apareceram sorridentes na coletiva de imprensa após o encontro privado, uma mudança em relação à última visita de Netanyahu aos Estados Unidos, em março.

Na ocasião, a visita do líder israelense ocorreu em meio a um momento de tensão nas relações bilaterais, provocado pelo anúncio de novas construções israelenses em Jerusalém Oriental, feito durante uma viagem do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel.

Nesta terça-feira, entre sorrisos e apertos de mão diante das câmeras, Obama e Netanyahu pareciam determinados a demonstrar que as relações estão normalizadas. Ao ser questionado sobre o assunto, o presidente americano negou qualquer atrito na relação com Israel.

"A verdade é que confiei no primeiro-ministro Netanyahu desde que o conheci, antes de ser eleito presidente, e já disse isso tanto publicamente quando reservadamente."

Obama disse que os laços entre os dois países são "inquebráveis". "E é por isso que permanecemos firmes em nosso comprometimento com a segurança de Israel. E os Estados Unidos jamais pedirão a Israel que tome qualquer medida que possa colocar em risco sua segurança", disse Obama.

Gaza e Irã

AP
Manifestante carrega "lápides" em frente da Casa Branca, em Washington, em protesto a encontro entre premiê israelense, Benyamin Netanyahu, e o presidente Barack Obama
O encontro entre os dois líderes foi alvo de protestos. Em frente à Casa Branca, manifestantes carregavam cartazes pedindo o fim do bloqueio israelense à Faixa de Gaza. O presidente americano elogiou o recente anúncio israelense de relaxar o bloqueio ao território palestino . "Elogiei o primeiro-ministro Netanyahu em relação ao progresso feito ao permitir a entrada de mais produtos em Gaza", afirmou Obama.

"Vimos progresso real. E acredito que houve o reconhecimento de que isso ocorreu mais rapidamente e mais efetivamente do que muitas pessoas esperavam."

Os dois líderes discutiram também as recentes sanções contra o Irã, por conta de seu programa nuclear. O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma quarta rodada de sanções para pressionar Teerã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio. As medidas foram seguidas por novas sanções bilaterais americanas contra o Irã , elogiadas por Netanyahu.

"A maior nova ameaça no horizonte e a principal questão para muitos de nós é a possibilidade de o Irã obter armas nucleares", disse Netanyahu. "Prezo muito as declarações do presidente (Obama) de que está determinado a impedir que o Irã obtenha armas nucleares."

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