Premiê de Israel diz que Jerusalém nunca será dividida

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta quinta-feira que Jerusalém nunca será dividida e seguirá como capital do Estado judeu, provocando reações indignadas de palestinos.

Reuters |

As declarações foram feitas após encontros com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no início desta semana em Washington nos quais o líder israelense disse esperar expandir o processo de paz pelo mundo árabe mas não fez referências à criação de um Estado palestino independente.

Palestinos que desejam estabelecer seu próprio país na Cisjordânia, ocupada por Israel, e na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, como parte de um acordo futuro de paz com Israel, dizem querer sua capital em Jerusalém.

Os comentários de Netanyahu nesta quinta-feira, durante cerimônia que marca a captura por Israel da parte árabe de Jerusalém na Guerra dos Seis Dias, em 1967, seguem sua promessa de campanha de manter Jerusalém "unida".

"Uma Jerusalém unida é a capital de Israel. Jerusalém foi e sempre será nossa. Não deverá nunca ser dividida e desunida novamente", disse Netanyahu na cerimônia.

Netanyahu, cuja coalizão direitista assumiu há quase dois meses, disse que somente a soberania israelense sobre uma Jerusalém unificada poderia garantir liberdade religiosa e acesso aos locais sagrados pelas três maiores religiões.

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, disse que a posição de Netanyahu sobre Jerusalém é um passo para trás na solução de dois Estados, que prevê a criação de um Estado palestino lado a lado de Israel, política apoiada fortemente pelo governo Obama.

"O sr. Netanyahu, ao dizer isso, diz que o estado do conflito será eterno", disse Erekat.

Netanyahu deseja que as conversas com os palestinos devem se pautar no progresso econômico e melhorias na segurança na Cisjordânia, ao invés de negociar questões mais delicadas como a situação de Jerusalém, o futuro dos refugiados palestinos e assentamentos judaicos e as fronteiras finais.

Palestinos rejeitam tal política, dizendo que a renovação de negociações de paz com Israel depende do apoio público de Netanyahu à criação do Estado palestino e da suspensão nas ampliações dos assentamentos.

As declarações de Netanyahu sobre Jerusalém foram similares às feitas por Obama durante sua campanha presidencial no ano passado.

Em um discurso a um grupo lobista pró-Israel em junho de 2008, Obama disse que Jerusalém "seguirá como a capital de Israel, e deve seguir não dividida".

Depois, Obama disse que palestinos e israelenses tinham que negociar o status de Jerusalém. "Não queremos arame farpado por Jerusalém, como o que acontecia antes da guerra de 1967", explicou Obama.

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