Premiê de Israel diz esperar acordo com EUA sobre assentamentos

Por Allyn Fisher-Ilan PARIS (Reuters) - O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira que espera alcançar um entendimento com Washington sobre os assentamentos judaicos na Cisjordânia mas, segundo a previsão de uma autoridade de Israel, a diferença não será fácil de resolver.

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Como tem feito o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o mandatário da França, Nicolas Sarkozy, pediu a Netanyahu para construir uma relação de confiança com os palestinos e que, para isso, ordenasse a paralisação das construções em assentamentos, segundo comunicado do gabinete presidencial francês.

Depois de se encontrar com Sarkozy em Paris, Netanyahu reiterou a sua intenção de continuar a construir dentro dos assentamentos existentes na Cisjordânia, para acomodar o "crescimento natural" das famílias.

Netanyahu, que lidera um governo de direita que pode rachar se ele concordar em interromper as construções, afirmou aos jornalistas que diferenças podem ocorrer "entre os melhores amigos".

Diplomatas ocidentais afirmaram que o cancelamento abrupto da reunião, planejada para esta quinta-feira em Paris, entre o premiê israelense e o enviado norte-americano para o Oriente Médio, George Mitchell, mostra a dificuldade de os dois lados superarem a desavença.

Em vez da reunião desta quinta, Mitchell se encontrará com o ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, em Washington, na segunda-feira.

"Eu pedi o adiamento da reunião", disse Netanyahu, sobre a conversa com Mitchell em Paris. "O senhor Mitchell concordou de imediato. Acreditamos que temos de esclarecer temas e estatísticas, e o ministro da Defesa fará isso na segunda, nos Estados Unidos."

"Continuaremos os contatos, com boa vontade e com a intenção de chegar a um entendimento que faça avançar o processo de paz, um processo diplomático entre nós e os palestinos e, espero, entre nós e o restante do mundo árabe", afirmou o primeiro-ministro.

Sob a condição de anonimato, autoridades israelenses declararam que o premiê israelense busca um acordo com a Casa Branca que permita que as construções sendo feitas atualmente nos assentamentos prossigam.

Uma autoridade de Israel que viajou com Netanyahu para Paris disse que "bastante trabalho duro" será necessário para chegar a um acordo com os Estados Unidos.

Em Washington, Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado, declarou que o encontro entre Mitchell e Barak foi uma decisão conjunta, e que a reunião do enviado especial com o premiê ainda não havia sido remarcada.

Os problemas, raros na relação entre os Estados Unidos e Israel, marcaram a viagem de Netanyahu à Europa. Ele também foi à Itália.

(Reportagem adicional de Deborah Charles em Washington)

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