Por Nopporn Wong-Anan BANGCOC (Reuters) - A Tailândia pretende realizar um referendo nacional a fim de resolver uma crise política gerada por manifestações de rua voltadas contra o governo, afirmou na quinta-feira o primeiro-ministro Samak Sundaravej depois de rejeitar os apelos para que renunciasse.

No entanto, líderes de uma campanha iniciada há três meses em Bangcoc com o objetivo de depor Samak rejeitaram a consulta popular, dando sinais de que o atual clima de indefinição política continuará pairando sobre esse país do sudeste asiático.

Na noite de quinta-feira (horário local), um homem armado pilotando uma moto disparou tiros contra um grupo de cerca de cem estudantes que realizava uma passeata perto da casa de Samak, ferindo dois deles, afirmou a polícia.

A campanha para obrigar o premiê a renunciar tem se mostrado em geral pacífica, mas um homem foi morto e 45 pessoas ficaram feridas em um conflito ocorrido nesta semana entre grupos anti e pró-governo, detonando a imposição de um regime de emergência, o que dá ao governo a chance de usar os militares para controlar a situação.

Segundo a polícia, os disparos de quinta-feira parecem ter sido um incidente isolado e não há nervosismo na cidade.

Samak, que busca avidamente uma forma de colocar fim à crise responsável por paralisar seu governo, disse em um pronunciamento por rádio que conclamaria o Senado a aprovar com rapidez uma lei pendente a respeito da consulta popular.

'A campanha durará um mês, e durante esse período os dois lados poderão manifestar-se como bem entenderem', afirmou, acrescentando que os milhares de ativistas concentrados no complexo do governo poderiam continuar ali ao longo daquele intervalo de tempo.

No entanto, em um outro aparente revés para os planos de Samak, o presidente do Senado tailandês, Prasobsuk Boondej, disse não acreditar que a votação, mesmo que feita logo, coloque fim à crise.

'A situação atual precisa de uma solução imediata. Não podemos esperar pela aprovação da lei do referendo', afirmou a repórteres.

A Aliança do Povo pela Democracia (PAD), um grupo composto principalmente por monarquistas e empresários da classe média que tomou conta da sede do governo dez dias atrás, descreveu o referendo como uma tática para ganhar tempo e manter o dirigente no cargo.

'O referendo não resolverá nada', afirmou Parnthep Pourpongpan, porta-voz do PAD.

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