Yingluck Shinawatra pede cooperação enquanto população da capital, Bangcoc, se prepara para inundações

A primeira-ministra da Tailândia, Yingluck Shinawatra, defendeu nesta quarta-feira a resposta de seu governo para as piores enchentes do país em meio século, enquanto tropas tentam proteger centros industriais e Bangcoc se prepara para a subida das águas.

"Digo a verdade: temos feito tudo o que é possível", afirmou. "No entanto, este ano estamos enfrentando uma das enchentes mais severas. Precisamos de apoio, incentivo e cooperação de todos os setores e de todas as pessoas também."

Motociclistas passam por rua inundada em Phatum Thani, província ao norte de Bangcoc, na Tailândia
AP
Motociclistas passam por rua inundada em Phatum Thani, província ao norte de Bangcoc, na Tailândia

Yingluck disse que políticos, empresas e a população precisam se unir para acelerar a recuperação e minimizar as perdas.

Há apenas dois meses no cargo, Yingluck tem enfrentado críticas sobre as mensagens conflitantes de seu governo e a resposta lenta às inundações. As estimativas de danos variam, mas podem chegar a até US$ 5 bilhões, segundo o governo. O custo para a economia pode ir muito além se Bangcoc, que responde por 41% do Produto Interno Bruto (PIB), for inundada.

Yingluck disse que todos os esforços estão sendo feitos para proteger a capital, que tem registrado apenas pequenas inundações em seus arredores. Nesta quarta-feira, porém, sete distritos do norte foram colocados em alerta, forçando a remoção de 200 famílias.

Embora Bangcoc deva conseguir escapar do tipo de inundação que assolou outras áreas, incluindo a capital antiga de Ayutthaya e seus templos de séculos de existência, autoridades alertaram nesta quarta –feira que os riscos permaneciam. O governador de Bangcoc, Sukhumbhand Paribatra, insistiu que os moradores não entrassem em pânico.

Em resposta à crise das enchentes, o Banco Central manteve sua taxa básica de juros em 3,5% nesta quarta-feira, fazendo uma pausa em mais de um ano de aperto monetário por causa das crescentes perdas econômicas e pressões inflacionárias à medida que os bens se tornam escassos por problemas na oferta.

As pressões inflacionárias também são provenientes dos gastos agressivos do governo nos esforços de recuperação das inundações e em um novo sistema de gerenciamento de água nas províncias mais duramente atingidas, disse o Banco da Tailândia.

As inundações no norte, nordeste e centro do país deixaram pelo menos 317 mortos desde julho, inundando zonas industriais e agrícolas no país que é maior exportador de arroz do mundo.

Vinte e sete das 76 províncias da Tailândia foram afetadas, cobrindo cerca de 1,6 milhão de hectares - uma área equivalente a 16 vezes o tamanho de Hong Kong.

No Camboja, 247 mortes foram registradas, incluindo ao menos 80 crianças, enquanto autoridades no Vietnã dizem que o número de mortos aumentou para 55.

De acordo com as Nações Unidas, as inundações deixaram 745 mortos e afetou 8 milhões na Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos e Filipinas desde julho.

A grande preocupação é com outro período de chuvas pesadas e marés altas previsto para o final de outubro.

Com Reuters

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