Premiê cancela participação na ONU por enchentes no Paquistão

Chuvas durante as últimas seis semanas afetaram quase 6 milhões de paquistaneses no sul do país e mataram ao menos 230

iG São Paulo |

O primeiro-ministro do Paquistão, Yusuf Raza Gilani, cancelou nesta sexta-feira sua participação na Assembleia-Geral da ONU, que começa quarta-feira na ONU em Nova York, para poder supervisionar as ações do governo em reação às inundações que atingem o país nesse período das chuvas de monções.

AP
Foto tirada de helicóptero mostra área inundada na cidade de Tando Mohammad Khan, perto de Hyderabad, Paquistão
As precipitações inundaram amplas áreas da Província de Sindh, no sul do país, durante as últimas seis semanas, deixando ao menos 230 mortos, 200 mil desalojados e afetando quase 6 milhões. Além disso, as enchentes destruíram ou danificaram 1,2 milhão de moradias e inundaram 1,8 milhão de hectares desde o final de agosto, segundo autoridades e grupos humanitários estrangeiros.

No ano passado, os líderes paquistaneses foram criticados por fracassar em lidar com chuvas que afetaram mais de um quarto do território do país. Na época, Zardari foi alvo de críticas por manter sua viagem ao Reino Unido e França.

Uma fonte do governo disse à Reuters que o chanceler do país representará o Paquistão na Assembleia-Geral da ONU. "O primeiro-ministro vai visitar áreas afetadas pelas inundações a partir de amanhã (sábado), e supervisionar os esforços de auxílio."

Autoridades locais, a ONU e grupos de assistência internacional e interna distribuem água, medicamentos e alimentos, enquanto o Exército resgata pessoas de comunidades isoladas pelas águas. Mas milhares receberam pouco ou nenhum auxílio e estão vivendo a céu aberto sob céus chuvosos ou sol escaldante.

De acordo com a EFE, a situação piorou pelo risco de propagação de epidemias pela água. "A situação está piorando por causa das epidemias", explicou Imtiaz Mohyudín, uma fonte da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA, na sigla em inglês).

Segundo o último boletim, as cheias afetam 5.744.646 pessoas, total que aumenta a cada dia. O funcionário ouvido pela EFE não pôde enumerar quantos contraíram infecções ou doenças, mas confirmou que um grupo de especialistas do Sri Lanka está no Paquistão para assistir as autoridades nessa questão.

Além disso, há registro de 1 mil casos de mordidas de serpente em Sindh, a maioria em distritos que estão parcial ou totalmente alagados. O número de afetados cresceu nas últimas semanas, o que forçou o governo paquistanês a pedir ajuda à ONU no início de setembro.

A diarreia aguda - que pode ser um indício de cólera - e a malária são os principais motivos de preocupação das agências humanitárias, segundo uma fonte da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Este ano, os efeitos das inundações se limitaram a Sindh e a algumas zonas das províncias vizinhas do Baluchistão e de Punjab, ainda longe da catástrofe de 2010. As enchentes do ano passado deixaram 1.767 mortos e afetaram 20 milhões de paquistaneses . Cerca de 800 mil famílias atingidas pelas inundações do ano passado continuam desabrigadas.

*Com AP, EFE e Reuters

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