Premiê britânico reconhece derrota, mas descarta renúncia

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, rejeitou nesta sexta-feira a possibilidade de renunciar ao cargo. Brown se encontra com a popularidade em baixa e sob forte pressão para renunciar, agravada pelos maus resultados nas eleições municipais realizadas na quinta-feira e por um movimento no Parlamento para colocar em xeque a liderança do primeiro-ministro e convocar eleições gerais.

Redação com agências internacionais |


O Partido Conservador venceu as eleições municipais em diversas cidades, inclusive em locais que antes eram liderados há anos pelos Trabalhistas.

Em entrevista coletiva, o primeiro-ministro admitiu que seu partido, o Trabalhista, sofreu uma "derrota dolorosa" e acrescentou que aceita a responsabilidade pela derrota.

"Sei o que está em jogo, não apenas para os Trabalhistas, mas também para a Grã-Bretanha. Sim, foi uma noite difícil, mas continuaremos a lutar pelo que acreditamos. Não vou hesitar, não vou embora, vou continuar com o trabalho e vou terminar o trabalho", disse.

Brown também afirmou que os eleitores terão a chance de manifestar sua opinião quando novas eleições gerais forem realizadas e acrescentou que seu governo ainda tem três tarefas a cumprir.

"Primeiro, limpar a política. Segundo, progredir com nossa recuperação econômica. E, em terceiro, garantir as melhores oportunidades para a população, por meio de serviços públicos reformados, que atendam melhor às necessidades da população."


Gordon Brown discursa em Londres / Reuters

"A lição que aprendemos nesta semana é que devemos progredir mais e mais rápido em todas estas três frentes e, para fazer isso, reformulei o gabinete de governo", disse Brown, que anunciou uma reforma ministerial nesta sexta-feira.

Reforma

A reforma é vista por analistas como a última oportunidade para Brown tentar recuperar a sua autoridade e silenciar o movimento por sua renúncia.

Os ministros da Defesa, John Hutton, e do Trabalho e Previdência, James Purnell, foram as mais recentes baixas do gabinete. Eles eram apontados como possíveis futuros líderes partidários.

Purnell, que afirmou que o partido não poderia vencer uma eleição geral sob a liderança de Brown, será substituído por Yvette Cooper. Já Hutton afirmou que a decisão não se deve à crise e que continua "leal a Gordon Brown". Seu cargo, agora, será ocupado por Bob Ainsworth.

Na dança de cadeiras ministerial, o ministro da Saúde, Alan Johnson, assumiu a pasta do Interior, que estava sem titular desde a renúncia de Jacqui Smith. O ministro das Finanças, Alistair Darling, deve ser mantido no cargo, da mesma forma que o titular da Justiça, Jack Straw.

Nos últimos três dias, além de Hutton, Jacqui Smith e Purnell, a ministra das Comunidades, Hazel Blears, também entregou seu cargo. John Denham deve ocupar a pasta no lugar dela.

David Cameron, líder do principal partido de oposição, o Conservador, disse que o governo está caindo em pedaços e pediu a convocação imediata de eleições gerais "pelo bem do país".

O líder do Partido Liberal Democrata, Nick Clegg, reforçou o coro dos descontentes, ao afirmar que o governo trabalhista "está acabado".

Reembolso

A crise começou com o escândalo do reembolso de gastos pessoais de parlamentares, detonado pela publicação de relatórios de despesas apresentadas por membros do governo e da oposição.

Pedidos de ressarcimento de gastos com estrume para uso em jardins, manutenção de piscinas e pagamento de salários para governantas escandalizaram a opinião pública.

Uma pesquisa de popularidade encomendada pela BBC indica que a credibilidade de Gordon Brown atingiu os níveis mais baixos de sua gestão.

A maioria dos britânicos diz acreditar que ele perdeu o contato com o povo e não tem capacidade para administrar a economia do país em recessão.

(Com informações da BBC e da AFP)

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