Premiê britânico diz que armas não justificaram guerra no Iraque

Por Avril Ormsby LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse ter apoiado a invasão do Iraque em 2003 não por causa da ameaça militar do regime de Saddam Hussein, mas devido à recusa dele em cumprir compromissos internacionais.

Reuters |

As declarações do premiê à revista Tribune prenunciam o conteúdo de seu testemunho a um inquérito público oficial sobre a guerra do Iraque, no começo de março.

Críticos acusam Brown de tentar a todo custo se dissociar da postura adotada por seu antecessor, Tony Blair, que declarou no mês passado a esse inquérito que Saddam era uma ameaça que o mundo precisava derrubar ou desarmar.

Um dado central nesse argumento seria a presença de armas de destruição em massa no Iraque, que no entanto jamais foram encontradas.

"A evidência dada a nós foi de que havia armas, e essa foi a conclusão de várias pessoas, mas para mim a razão para a intervenção foi sempre a violação das obrigações internacionais pelo governo iraquiano", disse Brown, que na época da invasão era ministro das Finanças.

De acordo com ele, Saddam havia se comprometido a revelar tudo sobre as munições do seu país, o que não ocorreu. "Então a ONU em si e a ação coletiva da comunidade mundial em si foram postas em risco", afirmou.

Algumas pessoas, inclusive Blair, alegam que a resolução 1.441 do Conselho de Segurança da ONU, que dava ao Iraque uma última oportunidade para cumprir suas obrigações de desarmamento, meses antes do início da guerra, estabelecia um claro mandato para a ação militar dos EUA e seus aliados.

Em nota, o Partido Liberal Democrata, terceiro maior da Grã-Bretanha, e que votou contra a invasão, acusou Brown de tentar "reescrever a história".

O envio de 45 mil soldados britânicos ao Iraque, em 2003, foi o episódio mais polêmico em dez anos do governo Blair, gerando enormes manifestações populares, divisões dentro do seu Partido Trabalhista e acusações de que ele teria mentido à opinião pública sobre as verdadeiras razões da invasão.

O assunto continua candente, e o depoimento de Brown no inquérito, antes de uma eleição prevista para maio, pode dificultar ainda mais as perspectivas trabalhistas de reverter a vantagem da oposição conservadora nas pesquisas.

Brown determinou a realização do inquérito no ano passado, para aprender lições do conflito depois da retirada das tropas britânicas.

"Não quero que as pessoas achem que há perguntas sem responder", disse Brown à Tribune. "Quero assegurar que as pessoas saibam que tudo o que fiz foi minuciosamente pensado e justificado."

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