Premiê britânico assume responsabilidade por derrota eleitoral

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, se disse responsável pelos maus resultados do seu Partido Trabalhista nas eleições locais de quinta-feira, mas disse estar convencido de que a agremiação conseguirá se recuperar da derrota, a pior em 40 anos. Eu me sinto responsável.

BBC Brasil |

Não há qualquer desculpa de minha parte", disse Brown em entrevista à BBC, transmitida pela TV na manhã deste domingo.

Ele admitiu ter cometido erros, mas disse ter "convicção e idéias" para conduzir o país adiante.

As eleições locais eram vistas por muitos como um teste para Brown, que assumiu o poder há menos de um ano, após a renúncia de Tony Blair. Desde então, as pesquisas de opinião vêm mostrando uma queda acentuada no apoio ao Partido Trabalhista e a ascensão do opositor Partido Conservador.

Nas eleições de quinta-feira, a proporção de votos dados aos trabalhistas nacionalmente ficou em 24%, colocando o partido em terceiro lugar, atrás dos conservadores, com 44%, e do Partido Liberal Democrata, com 25%.

Além disso, o conservador Boris Johnson venceu a eleição para prefeito de Londres, derrotando o trabalhista Ken Livingstone, que ocupava o cargo desde sua criação, em 2000.

Mágoa
Em sua primeira entrevista após o anúncio dos resultados das eleições, Brown disse que este não tem sido seu "melhor fim de semana" e afirmou que os eleitores estão preocupados com o aumento dos preços dos combustíveis, da comida e dos serviços.

"Eu entendo isso e sinto a mágoa que eles sentem", disse o premiê.

Brown se disse otimista, porém. "Claro que podemos nos recuperar desta posição, e vou lhe dizer como", afirmou.

"Primeiro, resolvendo o problema imediato com a economia e mostrando às pessoas que podemos sobreviver, como fizemos no passado, a um período econômico muito difícil", disse.

"Em segundo lugar, ao mostrar às pessoas que temos uma visão de futuro que vai levar este país com otimismo na minha visão para sua próxima fase", concluiu.

Questionamentos
A derrota nas eleições de quinta-feira já vem provocando questionamentos sobre a capacidade de Brown de liderar o Partido Trabalhista até as próximas eleições parlamentares, previstas para acontecer até 2010.

Em um artigo publicado neste domingo pelo jornal Sunday Mirror, o deputado trabalhista John Cruddas disse que o partido está "afundando rapidamente" e que os eleitores da classe trabalhadora se sentem "abandonados" pelo fato de os trabalhistas estarem buscando o voto da classe média.

Vários outros jornais especulam neste domingo sobre planos para derrubar Brown do cargo de líder do Partido Trabalhista - na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro é o líder do partido com maioria no Parlamento.

Outro deputado trabalhista, John McDonnell, negou a intenção de lançar sua candidatura à liderança do partido, mas disse à BBC que todo os membros do gabinete de Brown deveriam repensar suas posições se a situação do partido não melhorar em seis meses.

Mas a vice-líder trabalhista, Harriet Harman, disse que os eleitores não querem que o partido se volte para disputas internas e afirmou que Brown é "a pessoa mais bem preparada" para liderar o país durante um período de turbulência econômica.

O ministro das Relações Exteriores, David Miliband, apontado como um dos candidatos a futuro líder do Partido Trabalhista, também afirmou que Brown é "o melhor homem para nos levar adiante às próximas eleições gerais" e pediu que o partido se una.

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