Premiê anuncia 'governo de união nacional' na Tunísia

Mohammed Ghannouchi e pelo menos seis ministros seguem no cargo até eleição, mas líderes da oposição passam a integrar governo

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Tunísia, Mohammed Ghannouchi, anunciou nesta segunda-feira a criação de um "governo de união nacional" no país. Na sexta-feira, em meio a uma onda de protestos contra o governo, o então presidente Zine al-Abidine Ben Ali anunciou sua renúncia.

AFP
Soldado monta guarda enquanto manifestantes protestam no centro da capital da Tunísia, Túnis

A oposição deve ficar com os Ministérios de Educação Superior, Desenvolvimento Regional e Saúde. Apesar dos protestos contra o governo de Ben Ali, seis dos seus ministros permanecerão nos seus cargos – inclusive os das pastas de Finanças, Relações Exteriores e Interior. Ghannouchi também ficará no cargo até as novas eleições presidenciais e legislativas.

A cineasta Moufida Tlatli, que recebeu menção do júri da Câmara de Ouro do Festival de Cannes, e o ciberativista Slim Amamou são as novas figuras independentes e da oposição que entram para o governo que deve preparar a transição do país para um regime democrático.

Nesta segunda-feira, o clima ainda era de tensão em Túnis, a capital do país, onde tiroteios ocorreram em frente ao Ministério do Interior e à residência presidencial.

Os confrontos se intensificaram no domingo depois da prisão do ex-chefe da segurança do presidente, Ali Seriati, acusado de estimular a violência no país. Soldados em tanques estão patrulhando a capital tunisiana e outras cidades para tentar restaurar a ordem.

O estado de emergência continua em vigor e começaram faltar produtos básicos nas lojas e em postos de combustíveis. Na noite de domingo, alguns moradores da capital bloquearam estradas com barreiras improvisadas, com galhos e latas de lixo, para tentar proteger suas casas de saqueadores. Algumas pessoas começaram a arrancar retratos de Zine al-Abidine Ben Ali espalhados por cartazes ou postes de luz. Outros atacaram prédios e empresas ligadas ao ex-presidente ou à família dele.

Segundo a atual Constituição tunisiana, a nova eleição presidencial deve acontecer dentro de 60 dias. Os protestos começaram no último mês como forma de manifestação de insatisfação com o alto desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção.

Dezenas foram mortos em choques entre manifestantes e a polícia. Ben Ali, que foi presidente da Tunísia por 23 anos, viajou na sexta-feira para a Arábia Saudita, depois de renunciar ao cargo.

Com EFE, AFP e BBC

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