Premiação do Nobel defende liberdade de conhecimento e expressão

Alicia García de Francisco Estocolmo, 10 dez (EFE).- O rei Carl Gustav da Suécia entregou hoje em Estocolmo os prêmios Nobel de Física, Química, Medicina, Literatura e Economia, em cerimônia que também celebrou o 60º aniversário da Declaração de Direitos Humanos, a importância da liberdade de expressão e da troca de conhecimentos.

EFE |

A solenidade, celebrada no Konserthuset (Sala de Concertos) da capital sueca, foi aberta pelo presidente do Conselho da Fundação Nobel, Marcus Storch, com um discurso dedicado ao trabalho das universidades e no qual destacou especialmente o aniversário da Declaração.

Estamos em um momento, disse, no qual há "uma inquietante tendência" a "mais e mais restrições à liberdade de expressão" em um "crescente número de contextos no mundo todo. Há um grave risco de que se evolua rum ao que é, para a maioria de nós, uma direção equivocada".

Seu discurso antecedeu a entrega dos prêmios, transcorrida na mesma ordem em que Alfred Nobel definiu em seu testamento, em 1895, as áreas nas quais se devia instituir um prêmio internacional: Física, Química, Medicina, Literatura e, por último, Economia, que se uniu à lista em 1969.

Antes da entrega de cada um dos prêmios, um membro do comitê Nobel de cada área realizou uma breve apresentação do premiado e de seu trabalho.

Com a ausência de Yoichiro Nambu -um dos vencedores em Física-, seus colegas Makoto Kobayashi e Toisihide Maskawa foram os primeiros a receber a medalha, o diploma e o cheque no valor de 10 milhões de coroas (cerca de US$ 1,22 milhões) que os credenciam como prêmio Nobel.

Um prêmio que receberam por seus descobrimentos em física subatômica e mais concretamente, por demonstrar a assimetria do universo e, portanto, sua origem.

Assimetria que foi comparada por Lars Brink, membro do comitê Nobel de Física, com os retratos de Dora Maar realizados por Picasso.

Na continuação, Osamu Shimomura, Martin Chalfie e Roger E. Tsien receberam o Nobel de Química por descobrir a proteína fluorescente verde, que permitiu tornar visíveis as células e poder, assim, observar o desenvolvimento das doenças.

Em Medicina, Harald zur Hausen foi recompensado por estabelecer a conexão entre o papiloma humano e o câncer cervical, e Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier, por isolar o vírus HIV, causador da Aids.

Após os prêmios mais científicos, o professor Horace Engdahl, secretário permanente da Academia Sueca, apresentou Jean-Marie Le Clézio, Nobel de Literatura, de quem destacou a mudança que significou em sua produção literária o tempo passado na América Central e o contato com a cultura indígena.

"Descobriu que é realmente um índio, mas um pobre", afirmou Ebghdal, que também ressaltou que "poucos autores descreveram de forma tão convincente como as culturas e línguas morrem 'de má vontade'".

Encerrou a entrega de prêmios o de Economia, ao americano Paul Krugman, um crítico do "neoliberalismo" que formulou teorias que ajudam a entender a rápida urbanização mundial, o declive rural e a geografia econômica.

Uma cerimônia sem surpresas na qual tudo estava calculado milimetricamente e que começou pontualmente, com a chegada da família real com todo o auditório de pé e na qual se pôde escutar música de Mozart -a marcha em Ré Maior "Haffner" e "Ísis e Osiris", da Flauta Mágica-; Gioacchino Rossini -a "Calúnia", do Barbeiro de Sevilha- e Hugo Alfvén -"Marcha Festiva da Rainha de Sabá".

Com uma piscada ao cinema com a interpretação de "Oito e Meio", composta pelo italiano Nino Rota para o filme homônimo de Federico Fellini.

Uma música empolgante que deu um pouco de calor a uma austera cerimônia na qual até os premiados precisaram seguir um estrito protocolo que incluía três reverências -ao rei, aos membros da Academia e ao público- para se sentar depois sem dizer uma palavra.

Só o americano Chalfie saltou ligeiramente ao jogar um beijo a seus parentes. EFE agf/jp

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