O monsenhor Alfonso Baeza denunciou nesta quarta-feira a tortura psicológica a qual está sendo submetido em uma prisão brasileira o ex-guerrilheiro chileno Mauricio Hernández Norambuena, condenado a 30 anos de prisão pelo sequestro do publicitário brasileiro Washington Olivetto em 2001.

O prelado chileno se reuniu no dia 6 de janeiro com o ex-líder do movimento chileno de esquerda Frente Patriótica (FPMR), Manuel Rodríguez, a pedido da família de Hernández Norambuena, que tenta trazê-lo de volta para o Chile.

O sacerdote informou que o ex-guerrilheiro, que cumpre sua pena na penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná, permanece 22 horas por dia em uma cela de 3 por 2 metros sem contato com o exterior, rádio, televisão, jornais ou relógio.

"Para saber das horas, orienta-se pelo sol, como os primitivos. É uma tortura psicológica", afirmou em uma entrevista ao site do influente jornal chileno El Mercurio.

O ex-guerrillero, conhecido como 'Comandante Ramiro', de 45 anos, foi condenado pelo sequestro e tortura de Olivetto, um dos mais conceituados publicitários do Brasil.

Hernández Norambuena foi condenado duas vezes à prisão perpétua no Chile pelo assassinato, em 1991, do senador Jaime Guzmán, um dos principais ideólogos da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), e pelo sequestro de Cristian Edwards, filho do dono do El Mercúrio, em 1992.

Quatro anos depois, em dezembro de 1996, protagonizou uma fuga espetacular da penitenciária de segurança máxima onde estava preso em Santiago, saindo de helicóptero com outros três membros da FPMR.

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