Prejuízos por protestos na Grécia já chegam a 200 milhões de euros

Atenas, 10 dez (EFE).- A Grécia, que vive sua maior crise social dos últimos 40 anos, provocada pela morte no último sábado de um jovem de 15 anos baleado pela Polícia, voltou hoje a registrar confrontos entre tropas de choque e manifestantes, os quais já causaram prejuízos de centenas de milhões de euros ao país.

EFE |

Só em Atenas, os ataques a 435 lojas e estabelcimentos comerciais, entre bancos, supermercados e teatros, causaram perdas de pelo menos 200 milhões de euros, segundo a associação de comerciantes local.

No entanto, a situação na capital grega no quinto dia consecutivo de protestos começa a se acalmar, já que, apesar dos confrontos entre manifestantes e policiais registrados de manhã nas imediações do Parlamento, a quarta-feira transcorreu com menos incidentes violentos, em sua maioria restritos aos arredores de alguns centros universitários.

Em meio à situação de tensão, os principais sindicatos da Grécia mantiveram hoje a paralisação convocada desde antes da morte do adolescente Alexis Grigoropulos, o que, dadas as circunstâncias, aumentou a pressão sobre o Governo do primeiro-ministro Costas Caramanlis, cuja maioria absoluta é garantida por apenas uma cadeira no Legislativo.

A Confederação Geral dos Trabalhadores disse nesta quarta-feira que a adesão à greve geral, que atinge o funcionalismo público, os transportes, o ensino e os meios de comunicação, é de 90%.

Apesar da situação desfavorável, o chefe do Executivo voltou a pedir que os partidos da oposição o apóiem em sua decisão de tomar medidas duras contra o que chamou de "grupos extremistas com uma mania catastrófica e violência crua".

Em mensagem à nação, Caramanlis repetiu que a prioridade é proteger a população e seus bens. Além disso, anunciou um amplo pacote de medidas para ajudar as centenas de pequenos empresários cujos estabelecimentos comerciais foram danificados pelos vândalos.

Também hoje, um juiz de Atenas decretou a prisão preventiva dos dois agentes envolvidos na morte de Grigoropoulos.

Epaminontas Korkoneas, autor dos disparos, e seu parceiro Vasilis Saraliotis, acusados de homicídio doloso e cumplicidade, respectivamente, permanecerão sob custódia até serem julgados pela morte do adolescente.

A decisão da Justiça grega foi tomada depois que os advogados de defesa dos policiais afirmaram que os primeiros dados da balística indicam que a bala que matou o jovem ricocheteou antes de atingir seu coração.

A família de Grigoropoulos já anunciou que pedirá a um especialista que estude essa prova pericial, cujo conteúdo ainda não é oficial.

Os dois agentes testemunharam nesta quarta ao juiz do caso, a quem reafirmaram que não tiveram a intenção de fazer mal ao menor.

Korkoneas, chamado de "Rambo" por seus colegas da Polícia, declarou que não mirou o jovem a sangue frio. Além disso, insistiu na versão de que o adolescente foi atingido acidentalmente, devido ao ricochete de um disparo que deu para o alto.

Em seu depoimento, reproduzido pela imprensa local, o agente acusado afirmou que nunca apontaria sua arma contra uma pessoa, sobretudo contra um adolescente, e lembrou que ele mesmo tem três filhos pequenos.

Korkoneas também assegurou que, no sábado, ele e seu parceiro foram agredidos por um grupo de 30 radicais, e que, assustado e temendo por sua vida, sacou o revólver e atirou duas ou três vezes para o ar.

A trágica morte de Grigoropoulos fez vir à tona, na forma de atos de vandalismo e de protestos pacíficos, um mal-estar social que se encontrava latente na Grécia há várias décadas.

Com um histórico de corrupção estatal que se arrasta desde os anos 80, primeiro sob os Governos socialistas e agora com os conservadores, a população descontente encontrou uma válvula de escape, e milhares de pessoas, sobretudo os jovens, saíram às ruas do país.

As reformas no ensino, na saúde, no Judiciário e na Administração pública anunciadas pelos conservadores em seis anos de Governo não foram suficientes para atender às demandas dos jovens gregos da chamada "geração dos 700" (euros), uma referência ao salário que muitos deles ganham.

Agora, aos escândalos de corrupção, aos problemas econômicos e à elevada taxa de desemprego entre os jovens, a mais alta de toda a União Européia (UE), se uniu este caso de brutalidade policial. EFE Afb/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG