Preferência ao equipamento nacional pode atrasar pré-sal, diz Gabrielli

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, admitiu nesta sexta-feira (18), em Londres, que a intenção do governo de usar equipamentos fabricados no Brasil para extrair petróleo da camada do pré-sal pode causar atrasos na exploração dos novos campos. Ele ressaltou, no entanto, não acreditar que esse atraso possa ser significativo em longo prazo.

BBC Brasil |

"Não acredito que a produção local vá ter um impacto significativo nos nossos projetos no horizonte do tempo", disse Gabrielli em entrevista coletiva após uma apresentação para investidores britânicos sobre o marco regulatório do pré-sal.

O presidente da Petrobras também admitiu que a fabricação local talvez possa afetar o preço e fazer com que os primeiros barris de petróleo fiquem "acima do preço internacional", mas destacou ter a expectativa de que essa diferença tampouco seja "significativa".

Gabrielli disse ainda que, por causa disso, em um primeiro momento a Petrobras possivelmente terá de equilibrar os aumentos nos preços e nos lucros, de forma a "manter a produção lucrativa", mas que isso deverá ser pensado caso a caso nos "centenas de sistemas" necessários para a construção de equipamentos de exploração.

'Acionista majoritário'

Diante da preocupação de um investidor com a possibilidade de o governo brasileiro vir a deter mais de 51% da Petrobras, Gabrielli afirmou que isso é possível e até desejável do ponto de vista do governo, mas para isso, os acionistas teriam que abrir mão dos papéis a que têm direito segundo o marco regulatório.

"Se eu fosse o governo iria querer ter mais de 50% da Petrobras", brincou Gabrielli.

"Se eles (os acionistas privados) exercerem (o direito à compra de papéis), a participação do governo fica igual. O governo está fazendo exatamente como a regra do jogo manda."

O presidente da Petrobras avaliou positivamente o saldo do seu giro pelos Estados Unidos e pela Europa. De acordo com Gabrielli, "não houve reclamações" em qualquer dos quatro grupos com quem teve encontros: investidores, fornecedores, representantes de petroleiras e de governos.

"Estou extremamente satisfeito com o retorno que tivemos. A maior parte foi positiva. Prova disso é o mercado, a forma com que os papéis da Petrobras reagiram depois do anúncio da nova lei: as ações estão subindo mais rápido que a concorrência", resumiu.

O presidente da Petrobras disse ter ouvido muitas perguntas de investidores interessados em saber de que forma o marco regulatório do pré-sal vai afetar o valor da Petrobras, além de preocupações específicas sobre as novas regras.

O marco regulatório enviado pelo governo ao Congresso reserva um mínimo de 30% das reservas de qualquer futuro contrato na camada do pré-sal à Petrobras, além de transferir onerosamente 5 bilhões de barris à empresa.

A lei também prevê a criação de uma nova estatal, a Petrosal, para supervisionar contratos e operações relativos aos novos campos petrolíferos.

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