Prefeitura de Jerusalém aprova 20 novos apartamentos para colonos

A prefeitura de Jerusalém aprovou a transformação de um hotel na parte oriental da cidade em 20 novos apartamentos para colonos judeus. O anúncio coincidiu com a visita do premiê Binyamin Netanyahu a Washington, na terça-feira, para um encontro com o presidente Barack Obama que teve como objetivo justamente reduzir as tensões provocadas pelo anúncio, no início do mês, da aprovação para a construção de 1,6 mil novas casas para colonos em Jerusalém Oriental.

BBC Brasil |

A parte leste de Jerusalém, a qual os palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado, foi ocupada por Israel durante a guerra de 1967 e posteriormente anexada.

Israel vê Jerusalém como sua capital "única e indivisível" e até hoje vem se negando a discutir a possibilidade de negociar sua divisão com os palestinos.

'Consequências graves'

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) condenou a aprovação do plano pela prefeitura de Jerusalém e afirmou que a ampliação dos assentamentos nos territórios palestinos provoca "uma situação insuportável", com "consequências graves para qualquer acordo futuro com Israel".

"Como pode Jerusalém ser objeto de negociação quando os fatos no local mostram que não sobrará nenhuma terra para os palestinos sobre as quais negociar?", questionou o dirigente palestino Ahmed Rawidi, responsável da ANP por Jerusalém, em declarações à rádio Voz da Palestina, segundo a agência de notícias EFE.

"Esta ação é uma nova forma de comportamento racista que as autoridades israelenses exercem sobre a população de Jerusalém Oriental", afirmou Rawidi.

Não houve reação imediata dos Estados Unidos sobre o anúncio das novas construções. Há duas semanas, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia criticado a ampliação dos assentamentos em Jerusalém Oriental e disse que o anúncio de mais construções prejudicavam a relação entre Israel e Estados Unidos e a confiança americana sobre o comprometimento de Israel com o processo de paz no Oriente Médio.

Na semana passada, o chamado Quarteto (Estados Unidos, Rússia, ONU e União Europeia), que faz a mediação do processo de paz, criticou a decisão israelense e pediu a interrupção imediata de novas construções de assentamentos judaicos.

Ordem

O conselho legislativo de Jerusalém aprovou a construção dos 20 novos apartamentos poucas horas antes do encontro entre Netanyahu e Obama em Washington, colocando em questão a suposta ordem do premiê para que ele aprovasse com antecedência os anúncios feitos por autoridades locais, para evitar novos constrangimentos.

A ordem, que teria sido estabelecida após a polêmica provocada pelo anúncio da construção das 1,6 mil casas no leste de Jerusalém durante a visita a Israel do vice-presidente americano, Joe Biden, parece não estar funcionando.

O premiê israelense procurou se distanciar do anúncio feito pelo Ministério do Interior, mas reafirmou por diversas vezes que Israel tem o direito de fazer construções na parte leste de Jerusalém.

Cerca de 500 mil judeus vivem em mais de cem assentamentos construídos por Israel em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia desde 1967. Eles são considerados ilegais por uma resolução da ONU, a qual Israel contesta.

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