Prefeitos de Nápoles desprezam acordo para crise do lixo

A rejeição ao texto se deve ao fato de os moradores terem exigido mais garantias, segundo o prefeito de Boscoreale

EFE |

Os prefeitos das localidades da província de Nápoles que se levantaram contra a abertura de um novo aterro sanitário no entorno do Vesúvio anunciaram neste domingo que não assinarão o pré-acordo firmado sábado à noite com o governo italiano .

Após reunião na sede da delegação do governo em Nápoles, Gennaro Langella, prefeito de Boscoreale, um dos pontos que registrou o maior número de protestos e distúrbios nos últimos dias, explicou que a rejeição ao texto se deve ao fato de os moradores terem exigido mais garantias.

"Os cidadãos nos pediam garantias sobre Cava Vitiello (o novo aterro sanitário). Não foi possível obtê-las. Decidimos, portanto, não assinar o documento", comentou, em declarações à imprensa italiana, Langella, que explicou que manterão o diálogo com o representante do governo, o chefe da Defesa Civil, Guido Bertolaso.

Este anúncio põe freio às esperanças que a crise se resolvesse imediatamente com um possível acordo entre Bertolaso e autoridades municipais, condicionado à cessação "imediata" dos protestos por parte dos moradores e à aprovação destes.

No sábado, a Comissão Europeia advertiu as autoridades italianas que poderia denunciar a Itália ao Tribunal de Justiça da União Europeia, como já fez há três anos com a anterior crise do lixo, que concluiu com uma condenação em março passado.

AFP
Manifestantes fazem protesto contra a abertura de um novo lixão em Terzigno nas encostas do Monte Vesúvio

Aterro

Centenas de toneladas de lixo estão espalhadas pelas ruas napolitanas por causa da polêmica envolvendo um novo aterro sanitário no subúrbio de Terzigno, onde o atual lixão está sobrecarregado e os moradores se queixam do mau cheiro e de contaminações.

Berlusconi prometeu investir 14 milhões de euros para modernizar o aterro sanitário de Terzigno, e diz que o local não representa uma ameaça à saúde pública. "Esperamos que dentro de dez dias a situação em Terzigno possa voltar ao normal", disse ele durante entrevista coletiva em Roma, na semana passada, após uma reunião emergencial com ministros, com o governador regional e com o chefe da Agência de Proteção Civil.

O premiê italiano costuma citar a limpeza das ruas de Nápoles, logo após a sua posse em 2008, como um dos principais feitos de seu governo. Ele recentemente perdeu parte de sua bancada parlamentar devido ao rompimento com o ex-aliado Gianfranco Fini, e agora está sob ameaça de ter de enfrentar eleições antecipadas.

Nem todos os protestos em Nápoles têm sido violentos, mas durante a noite a polícia enfrentou cerca de 2 mil manifestantes que atiravam pedras, bolas de gude e rojões, e que usavam árvores para bloquear o acesso ao aterro sanitário, que fica próximo a um parque nacional no sopé do monte Vesúvio.

Crise do lixo

A crise do lixo em Nápoles se arrasta há anos, o que levou em 2008 o então recém-eleito Berlusconi a declarar situação de desastre nacional.

Em Bruxelas, um porta-voz da Comissão Europeia, que tomou medidas judiciais para forçar a Itália a resolver a crise, disse estar estudando a reação vinda de Roma. "Os procedimentos infracionais continuam," disse o porta-voz Joe Hennon a jornalistas. "As autoridades italianas precisam preparar um plano para gerenciar o lixo na região".

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