Prefeito é assassinado no estado da chacina no México

Neste sábado, foram identicados o corpo de um brasileiro e o documento de um outro brasileiro no local da chacina

iG São Paulo |

O prefeito do município mexicano de Hidalgo, no estado de Tamaulipas (nordeste), onde na terça-feira ocorreu o massacre de 72 imigrantes, foi assassinado neste domingo. "Acabam de matar o presidente municipal (prefeito) de Hidalgo", Marco Antonio Leal García, disse o funcionário da Procuradoria Geral de Justiça do Estado de Tamaulipas. Neste sábado, foram identicados o corpo de um brasileiro e o documento de um outro brasileiro no local da chacina .

Leal García, 49 anos, foi morto a tiros quando se deslocava por uma estrada de Hidalgo procedente de seu rancho. O prefeito viajava com sua filha, de quatro anos, que ficou gravemente ferida.

No dia 12 de agosto passado, o ex-prefeito de Hidalgo Cesareo Rocha Villanueva foi gravemente ferido em um atentado. Em 18 de março, a sede da prefeitura de Hidalgo sofreu um atentado com granadas que matou um policial. Hidalgo, cidade de 24 mil habitantes, está no centro do estado de Tamaulipas, a 90 km da capital, Ciudad Victoria.

O grupo de 72 imigrantes teria sido executado pelo Cartel Los Zetas, que tentou recruta-los para o narcotráfico. Após o massacre dos 72 imigrandes o governo federal deflagrou uma grande operação militar e policial em Tamaulipas.

Bombas

Uma série de ataques com bombas atingiu o Estado de Tamaulipas. Quatro dispositivos explodiram na região num intervalo de apenas 24 horas deixando 17 feridos.

As explosões pareciam ter como alvo locais ligados a investigação das mortes dos imigrantes e, de acordo com correspondentes, a aparência é de que criminosos estão tentando paralisar os trabalhos para recolhimento de provas dos crimes.

Três bombas caseiras explodiram no sábado na cidade de Reynosa, onde fica a fazenda na qual os 72 corpos foram encontrados. Uma das bombas explodiu perto de uma igreja onde ocorria uma missa em homenagem às vítimas.

Segundo o repórter da BBC Greg Morsbach, quando as pessoas se reuniam para a missa, ouviram a explosão. Outras duas bombas foram detonadas perto do necrotério onde especialistas tentam identificar os imigrantes. A explosão feriu um policial e um civil além de ter destruído uma guarita em frente ao prédio.

De acordo com Morsbach, no último ataque, um homem foi visto atirando uma granada contra uma delegacia de polícia, que ficou muito danificada. Ainda na sexta-feira, outras duas bombas explodiram na capital do Estado de Tamaulipas, Ciudad Victoria, tendo como alvo a sede de um canal de televisão e os escritórios da autoridade responsável pelos transportes. Ninguém ficou ferido.

Los Zetas
A polícia afirma que os ataques tem todas as marcas registradas de ataques realizados pelo grupo de narcotraficantes Los Zetas, um dos cartéis mais violentos do México e apontado como o responsável pelas mortes dos imigrantes.

Até o momento, as autoridades mexicanas conseguiram identificar apenas 31 entre os 72 mortos. De acordo com a Procuradoria Geral de Justiça do México, foram identificados um brasileiro, 14 hondurenhos, 12 salvadorenhos e quatro guatemaltecos. As autoridades mexicanas também encontraram o passaporte de um brasileiro entre os objetos das vítimas. E, no sábado, o Itamaraty divulgou o nome do brasileiro identificado e o nome que consta no documento encontrado.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o corpo do brasileiro Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, foi identificado entre as vítimas. Os documentos de Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, foram encontrados na fazenda em Reynosa, onde ocorreu o massacre. No entanto, o corpo desta segunda vítima ainda não foi identificado. U

m sobrevivente da chacina, o equatoriano identificado apenas como Freddy, afirmou à polícia que os 58 homens e 14 mulheres estavam tentando ir para os Estados Unidos quando foram sequestrados pelo grupo de criminosos e mortos a tiros quando se recusaram a trabalhar para eles.

O sobrevivente está sob proteção em um hospital militar da Cidade do México. No entanto, um promotor que liderava a investigação sobre as mortes está desaparecido desde a quarta-feira. Promotores mexicanos afirmam que temem pela segurança do promotor Roberto Suarez desapareceu junto com um policial que o acompanhava.

AP
Usando roupa de proteção, funcionário da perícia caminha próximo ao local onde estão os corpos (26/08)
*com informações da AFP e BBC Brasil

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