Prefeito de Santa Cruz vota confiante na vitória da autonomia boliviana

O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, duro opositor ao presidente Evo Morales, votou neste domingo no referendo revogatório e afirmou que os resultados da votação acelerarão o processo de autonomia que seu departamento lidera.

AFP |

"Estou muito animado, feliz, porque isso vai permitir com que aceleremos ainda mais nosso processo de autonomia", declarou Costas, cercado de repórteres e partidários.

"Estou contente por isso e porque vamos festejar a vitória esta tarde", declarou ainda, confiante que os resultados do pleito o confirmarão em seu posto como chefe do governo deste rico departamento do leste do país.

No referendo revogatório deste domingo, a Bolívia decidirá se o presidente Evo Morales e oito governadores terão seus cargo confirmados.

Morales tem confiança que vai ganhar com o apoio recebido em regiões andinas e vales do país, embora seja rejeitado em zonas da Amazônia e nos planaltos controlados pela oposição.

"Não tenho medo do povo, é melhor se submeter ao povo do que a certos interesses internos e externos", afirmou neste sábado o presidente, em entrevista à imprensa em La Paz, referindo-se à oposição política e empresarial de direita e aos Estados Unidos, país com o qual mantém constantes atritos.

Evo Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia em 183 anos, está seguro de que colherá o que semeou em dois anos e meio de gestão: nacionalizou os recursos em hidrocarbonetos e empresas petrolíferas da nação e se propõe a distribuir as terras improdutivas que estão nas mãos de ricos latifundiários dos altiplanos e da Amazônia para camponeses pobres, seus fiéis eleitores.

Segundo ele, em algumas pesquisas ele tem até 79% dos votos a seu favor, embora sondagens privadas locais indiquem percentual de 54% de apoio.

O chefe de Estado será removido do cargo se os votos contra ele passarem de 53,74%, o mesmo percentual que obteve nas eleições de 2005.

Mas as expectativas do presidente não são boas na região rica em gás de Tarija, na agroindustrial Santa Cruz e na pecuarista Beni, além das cidades de Sucre e Cochabamba, que resistem ao modelo de governo proposto por Morales.

Os movimentos civis nessas regiões promovem sem cessar uma formação de governos autônomos de cunho liberal.

Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija já aprovaram seus estatutos de autonomia em referendos populares entre maio e junho e vêem estas propostas como únicas vias para frear o partido governista.


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