Prefeito de Nova Orleans decreta toque de recolher devido à chegada de Gustav

O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, decretou toque de recolher na cidade desde o pôr-do-sol até o amanhecer devido à chegada do furacão Gustav. Milhares de moradores estão deixando a cidade depois que o prefeito deu ordens para uma evacuação obrigatória.

BBC Brasil |

As estradas de saída do porto de Louisiana estão lotadas, e as autoridades ajudam os que não têm como deixar a cidade por conta própria.

Nagin disse que cerca de 15 mil pessoas já foram retiradas da cidade.

Mais cedo neste sábado, ele descreveu o furacão Gustav, que deve atingir a costa americana na segunda-feira, como "a tempestade do século."

O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Michael Chertoff, disse, ao seguir para a região, que a evacuação caminha bem, mas que algumas pessoas estavam resistindo à retirada.

Depois de passar por Cuba, o furacão Gustav perdeu força e foi novamente classificado como uma tempestade de categoria 3 na escala de Saffir-Simpson (com ventos de até 201km/h), mas meteorologistas acreditam que ele possa ganhar força novamente no Golfo do México antes de chegar à costa americana.

A passagem do Gustav acontece três anos depois que o furacão Katrina destruiu Nova Orleans. Três quartos da cidade foram inundados e mais de 1,8 mil morreram nas áreas costeiras.

Apelo
O correspondente da BBC em Nova Orleans Kevin Connolly diz que muitos dos principais hotéis de Nova Orleans estão fechando suas portas e os turistas foram aconselhados a deixar a cidade antes que o aeroporto também feche.

Connolly disse que Nagin fez uma declaração apaixonada e desesperada em uma conferência transmitida pela TV.

"Se você é teimoso o suficiente, se você não está levando isso a sério como deveria e se você decidir ficar, você estará sozinho", disse o prefeito.

Ele alertou que obras iniciadas com o objetivo de proteger os moradores em partes da cidade ainda não estão prontas.

Convenção republicana
A convenção do Partido Republicano tem início previsto para esta segunda-feira, e representantes do partido avaliam o que fazer diante da chegada do Gustav.

O senador John McCain, virtual candidato republicano à Presidência, sugeriu que pode haver mudanças no tom do evento em vez de um cancelamento.

"Não seria apropriado ter uma ocasião festiva enquanto uma possível tragédia ou um terrível desafio se apresenta na forma de um desastre natural, então nós estamos acompanhando e eu estou fazendo orações também", disse McCain ao Fox News.

A Casa Branca confirmou que o presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney não irão participar da convenção por causa do furacão.

Cuba
O furacão Gustav chegou ao oeste de Cuba no sábado à noite com ventos de 240km/h, provocando chuvas torrenciais e enchentes nas províncias de Havana e Pinal de Rio, centro de produção dos charutos cubanos. A tempestade também causou queda de energia em diversas partes da capital Havana.

Cerca de 300 mil pessoas tiveram de deixar suas casas em Cuba. Não há relatos de vítimas fatais.

O correspondente da BBC em Havana Michael Voss diz que o plano de retirada dos moradores e turistas funcionou bem e informações eram constantemente transmitidas pela mídia cubana.

Cerca de 80 pessoas morreram na República Dominicana, Haiti e Jamaica por causa do furacão, que também passou pelas Ilhas Cayman, onde não há relatos de vítimas.

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