Prefeito de Jerusalém adia demolições a pedido de Netanyahu

Jerusalém, 2 mar (EFE).- O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, adiou hoje a demolição de 20 imóveis em um bairro de Jerusalém Oriental, ocupado por Israel desde 1967, após receber um pedido nesse sentido do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

EFE |

Netanyahu ligou para Barkat após saber que este anunciaria em entrevista coletiva um plano de construção de um parque no bairro de Siloé que exige a demolição de imóveis palestinos, despertando a oposição dos moradores e da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

"Barkat aceitou o pedido de Netanyahu para continuar com os esforços para encontrar uma solução com os moradores", informou a Prefeitura de Jerusalém em comunicado.

Netanyahu mencionou na conversa a existência de alguns "oportunistas" que "estão interessados em provocar e expor uma realidade distorcida a Israel e ao mundo".

O anúncio de Barkat estava previsto para as 15h locais (10h de Brasília).

Segundo a Prefeitura, há 88 imóveis palestinos construídos de forma ilegal na área onde se pretende construir o polêmico parque, dos quais 20 deveriam ser demolidos para construí-lo. Os outros seriam legalizados.

Em troca do terreno, a Prefeitura de Jerusalém ofereceu aos desabrigados a construção de edifícios de quatro andares no outro extremo do bairro.

Fontes municipais citadas hoje pela edição digital do jornal "Yedioth Ahronoth" asseguraram que uma parte dos moradores apoiava o projeto. O advogado destes, Ziad Kawar, desmentiu categoricamente tal posição.

"Ontem entreguei a Barkat uma carta na qual lhe expressamos nossa oposição. Não há um único morador que esteja de acordo", declarou o advogado ao jornal.

Segundo Kawar, as quase 40 famílias que moram nos 20 imóveis terão que construir casas em outro lugar a um custo de cerca de 2 milhões de shekels (quase 400 mil euros). O advogado afirmou que não têm esse dinheiro.

"O que Barkat diz é para destruírem as casas e ir para outro lugar porque quer erguer aqui o Parque Real, que tem um simbolismo religioso, político e histórico, a um passo do Muro das Lamentações e da Mesquita de al-Aqsa", diz Kawar.

O projeto em questão é uma recriação de um parque bíblico que há anos desperta a indignação dos palestinos, para quem a iniciativa contribui para a judaização de Jerusalém. EFE elb-amg/bba

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