'Prédio parecia navio em alto-mar', diz japonês sobre tremor

Químico japonês relata momento de tensão e dificuldade para falar com a família após forte terremoto atingir o país

Nara Alves, iG São Paulo |

O químico japonês Osamu Tsujimoto, 55 anos, passou por momentos de tensão durante o forte terremoto que atingiu o Japão nesta sexta-feira. Ele estava na cidade de Kobe quando o edifício da multinacional em que trabalha, a Huntsman, começou a tremer. "O prédio balançava muito, parecia um navio em alto-mar", afirmou, em entrevista ao iG .

O edifício recém-construído não sofreu danos na infraestrutura e ninguém ficou ferido. Depois do tremor, Osamu teve dificuldade para entrar em contato com a família, que mora em Yokohama, região metropolitana de Tóquio.

Sem energia elétrica, a família se comunica por emails enviados por notebooks que ainda têm bateria. "Como eles estão sem luz em casa, o aquecedor não funciona. A sorte é que havíamos guardado um velho aquecedor a gás, e o gás não foi cortado", explica. Os telefones celulares funcionam, mas as linhas estão congestionadas.

De acordo com o químico, muitos colegas de trabalho que estavam em Tóquio trabalhando continuam em seus escritórios. "Eles devem passar a noite lá, já que os trens e metrô não estão funcionando e o congestionamento é gigante". Segundo Osamu, antes de retomar o transporte público, é preciso revisar os trilhos para verificar eventuais avarias no sistema.

Maior tremor da história do Japão

O terremoto de 8,9 graus de magnitude que atingiu a costa nordeste do Japão nesta sexta-feira provocou um tsunami em cidades na região norte do país. De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), trata-se do maior tremor já registrado no Japão e o 7° maior da história mundial .

Já foram registrados mais de 30 tremores secundários no país, a maioria de 6 graus de magnitude, e um alerta de tsunami está vigente para todo o Oceano Pacífico, incluindo Chile, Canadá, Alasca, Indonésia, Rússia, Nova Zelândia, Filipinas e toda a costa oeste dos Estados Unidos.

Até hoje, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas.

Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico".

O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Com AP, EFE e BBC

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