Preço do petróleo sobe após anúncio de corte na oferta

O preço do petróleo subiu nesta quarta-feira e chegou a US$ 104 o barril em negociações no mercado asiático, depois do anúncio da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) de que ia reduzir a produção global em 520 mil barris por dia. O anúncio foi feito na madrugada desta quarta-feira depois de uma reunião realizada em Viena por representantes dos países do cartel.

BBC Brasil |

No encontro eles discutiram a recente queda do preço do produto no mercado internacional e decidiram cumprir "estritamente" o teto de produção diária de 28,8 milhões de barris por dia, acertado no ano passado e que exclui as produções da Indonésia e do Iraque.

Na terça-feira, o preço do barril caiu para menos de US$ 100 pela primeira vez desde abril.

O barril do petróleo tipo Brent para entrega em outubro foi negociado em Londres a cerca de US$ 99 durante o dia, encerrando o dia cotado a US$ 100,34.

A cotação chegou ao ápice de mais de US$ 147 em julho, levando a temores de inflação nos países consumidores. Entretanto, os preços vêm caindo desde então, refletindo o desaquecimento da economia global e a conseqüente redução na demanda pelo produto.

Analistas também atribuíram a queda desta terça-feira à crença, entre os investidores, de que o furacão Ike não irá afetar a produção americana de petróleo na região do Golfo do México, o que elevaria a demanda dos Estados Unidos por petróleo de outros países.

Efeito imediato
Em um comunicado, a Opep disse que a decisão foi tomada após uma revisão das condições do mercado, em que os países da organização concluíram que "o mercado de petróleo está bem abastecido e permitiu que os estoques fossem abastecidos em níveis confortáveis, tendo em vista a cobertura da demanda futura".

"Os preços caíram de forma significativa nas últimas semanas, refletindo um enfraquecimento da economia mundial (...) com sua concomitante menor demanda por petróleo, juntamente com uma maior demanda de petróleo, um fortalecimento do dólar e uma redução das tensões geopolíticas", diz a nota.

Comentando a decisão, o presidente da Opep - o ministro da Energia da Argélia, Chakib Khelil -, disse que não espera que a menor oferta venha ter algum efeito imediato na queda do preço do petróleo internacionalmente.

"Minha impressão é que provavelmente o preço vai continuar caindo, apesar da decisão que tomamos", disse.

"Eu não acho que isso irá afetar os consumidores de alguma forma porque, primeiramente, existe uma superoferta (do produto). Todos concordam com isso."
"As ações (para diminuir a produção) serão tomadas pelos membros assim que puderem, o que significa nos próximos 40 dias", completou Khelil.

A Opep também concordou em reavaliar a decisão em uma próxima reunião, a ser realizada em dezembro.

Segundo a correspondente da BBC em Viena Bethany Bell, a medida do cartel reflete a preocupação da Opep em frear a queda internacional do preço do produto e tem o objetivo de evitar mais turbulência no mercado de petróleo.

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