Por David Fogarty COPENHAGUE (Reuters) - O preço de 10 dólares por tonelada de dióxido de carbono, um dos gases que provocam o aquecimento do planeta, poderia ser incentivo suficiente para conter as emissões de gases-estufa de muitos usos do solo no Brasil e na Indonésia, afirmou um importante grupo ambientalista na terça-feira.

A exploração de madeira ou a derrubada das florestas, que absorvem CO2, para o plantio de palmeiras e soja ou a criação de gado estão entre as principais causas do desmatamento.

Um esquema apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) chamado redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD) tem como objetivo colocar um preço no carbono que as florestas tropicais absorvem e prendem e nas emissões de CO2 liberadas se as árvores forem cortadas.

Brasil e Indonésia têm perdido grandes quantidades de florestas tropicais, uma vez que aumenta a demanda por terra para a produção de alimentos. A preservação das florestas é uma preocupação central das negociações que seguem até o dia 17 de dezembro em Copenhague, que tentam chegar a um acordo sobre o esboço de um pacto mais duro para reduzir as emissões de gases-estufa.

Os esquemas REDD poderiam ser uma forma com uma boa relação custo-benefício para cortar as emissões provenientes do desmatamento causado por muitos usos do solo com custos estimados para os investidores entre 2 e 10 dólares por tonelada de CO2, disse a União Internacional para a Conservação da Natureza em um relatório lançado em Copenhague na terça-feira.

A ideia é descobrir o quanto compensar os proprietários de terra e governos para não derrubar as florestas remanescentes e envolve a observação do tipo de solo da floresta, usos do solo competitivos, as estimativas da densidade do conteúdo de carbono, entre outros pontos.

Os custos de oportunidade para a conservação florestal são definidos pela renda líquida por hectare por ano que é sacrificada por não explorar a madeira nem converter a terra para a agricultura, diz o relatório, financiado pela mineradora Rio Tinto.

"Quase 75 por cento do total das emissões de gás-estufa do Brasil vem do desmatamento na Amazônia e representa entre 8 e 14 por cento das emissões globais provenientes da mudança do uso do solo", afirma o relatório, que se concentra nos custos reais para os investidores que querem colocar dinheiro nos projetos de redução de carbono REDD.

CONCORRÊNCIA

O documento diz que os custos de oportunidade para a criação de gado no Brasil variam de zero a 2 dólares por tonelada para operações de pequena escala e ressalta que cerca de 80 por cento da terra recentemente desmatada foi usada para a pecuária.

Para a produção de soja, os custos de oportunidade eram de 2,5 a 3,5 dólares por tonelada.

Pelo REDD, os países em desenvolvimento seriam premiados obtendo dinheiro a partir da venda de compensações de carbono provenientes de projetos que preservam as florestas.

Na Indonésia, onde cerca de 85 por cento das emissões vêm do desmatamento, da degradação e dos incêndios, os custos de oportunidade mais altos de REDD ocorreram onde as conversação florestal competiu com o óleo de palma.

"Os custos de oportunidade variam de 49 centavos de dólar por tonelada de CO2 para pequenos agricultores de Sumatra até 19,6 dólares por tonelada para a conversão de solo florestal degradado em óleo de palma."

A exploração de madeira insustentável foi uso de solo mais rentável na Indonésia depois do óleo de palma, indo de 1,65 dólar por tonelada de madeira comercial em Sumatra até 3,44 dólares por tonelada para a exploração de madeira do Sudeste Asiático e no Pacífico.

O relatório estima custos de transação de estabelecer projetos REDD em 1 dólar por tonelada de CO2.

O documentário considera que o REDD é competitivo para muitos usos do solo no Brasil a um preço de carbono de menos de 5 dólares por tonelada. Na Indonésia, o mesmo é verdade a 10 dólares por tonelada.

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