Preço da energia vendida a Brasil e Argentina vira tema de campanha no Paraguai

Uma eventual renegociação dos tratados relacionados às gigantescas hidrelétricas binacionais de Itaipu (Paraguai e Brasil) e Yacyretá (Paraguai e Argentina) é um dos temas centrais da atual campanha eleitoral paraguaia e preocupa as autoridades em Brasília, que tentam evitar um aumento de preços semelhante ao estabelecido pela Bolívia.

AFP |

Os brasileiros entraram em estado de alerta ao saber que o ex-bispo esquerdista Fernando Lugo, candidato favorito nas presidenciais, promete "exigir" o aumento do preço da energia elétrica vendida pelo Paraguai se for eleito.

Lugo afirma que os 300 milhões de dólares pagos anualmente pelo Brasil é um valor irrisório, que deveria aumentar para 1,5 bilhão ou até 2 bilhões de dólares, preço de mercado.

A energia produzida em Itaipu abastece 25% dos consumidores brasileiros, principalmente aqueles que moram nos ricos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.

"Quando não existe um preço justo entre um país mais poderoso e outro mais fraco, predomina o conflito", disse Lugo.

A partir daí, um setor da imprensa brasileira tem chamado o candidato paraguaio de "agitador de galinheiro", e começou a dedicar mais espaço à disputa eleitoral paraguaia.

A promessa de Fernando Lugo, no entanto, despertou a simpatia de muitos paraguaios.

Atualmente, o ex-bispo aparece como favorito em todas as pesquisas de intenção de voto, com 34%, contra 29% do ex-general Lino Oviedo e 28,5% da candidata governista Blanca Ovelar, que adotou uma postura mais diplomática para tratar do assunto.

"Prefiro reunir técnicos nacionais e estrangeiros par definir o que é melhor", afirmou.

Oviedo, por sua vez, tenta associar sua imagem à de um estadista negociador. Em seu programa eleitoral na televisão, comparou Lugo aos presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia), rotulando os três de "conflitivos". Em outra imagem, o próprio Oviedo aparece ao lado dos governantes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Cristina Kirchner (Argentina), sob a legenda "negociação".

O plano proposto por Oviedo para Itaipu prevê dedicar a parte da energia que o Paraguai vende para o Brasil - 50% do que é produzido pela hidrelétrica binacional - a empresas instaladas em território paraguaio com capital brasileiro, que receberiam incentivos fiscais para gerar empregos no país.

"Por mais que tenha sido assinado durante a ditadura, o tratado é um tratado, e um tratado não é tocado de forma unilateral. Minha posição é a negociação", declarou Oviedo à AFP.

Outro assunto que preocupa o "grande vizinho" do Paraguai é o plano de governo de "rigorosidade" de Lugo com os chamados "brasiguaios" - aproximadamente 500.000 brasileiros que moram do lado paraguaio da fronteira e vivem do cultivo de soja.

O ex-bispo prometeu aos camponeses paraguaios "limitar" a área de cultivo em zonas que considera de preservação ambiental.

O Brasil respondeu com a costumeira diplomacia. "Precisamos ter um projeto de apoio. Nós entendemos a importância que o Brasil tem para o Paraguai", ponderou o chanceler brasileiro Celso Amorim.

Amorim anunciou a construção de uma linha de transmissão elétrica no Paraguai, a partir de Itaipu, que permitirá suprir grandes indústrias da região, principalmente do ramo agroexportador.

Já a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, deu passos importantes para conquistar a simpatia dos líderes paraguaios.

Em dezembro, pouco depois de ter assumido a presidência, Cristina visitou a usina hidrelétrica de Yacyretá, onde elogiou a "heróica história" paraguaia. Além disso, há poucas semanas "La Reina" recebeu os três principais candidatos em Buenos Aires, na Casa Rosada.

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