Pré-candidato à Presidência dos EUA nega acusações de assédio sexual

Segundo site Politico, Herman Cain foi acusado por duas ex-funcionárias de comportamento 'sexualmente sugestivo'

iG São Paulo |

AP
Herman Cain, pré-candidato republicano à presidência dos EUA, participa de evento em Detroit (21/10)
O pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos Herman Cain negou neste domingo as acusações de assédio sexual a duas mulheres nos anos 1990, quando presidia a Associação Nacional de Restaurantes dos EUA. Segundo Cain, a acusação não passa de uma “caça às bruxas”.

Na noite de domingo, uma reportagem do Politico afirmou que pelo menos duas funcionárias reclamaram do comportamento sexualmente sugestivo de Cain.

As mulheres saíram da entidade depois de assinar acordo pelo qual receberam compensações para deixar o emprego e ficavam impedidas de falar sobre o motivo de sua saída, informou o jornal.

As funcionárias, que não tiveram seus nomes divulgados, reclamaram aos colegas e a altas autoridades da associação de que o comportamento inapropriado de Cain as deixavam irritadas e em situação desconfortável.

O jornal disse que a história tinha sido confirmada por diversas fontes.

Os incidentes denunciados incluem conversas "cheias de insinuações" ou perguntas pessoais de natureza sexual, que aconteceram durante reuniões em hotéis, em atos da associação e nos escritórios do grupo. Procurado pelo Politico para comentar as acusações, Cain disse que teve "milhares de pessoas trabalhando" para ele em diferentes empresas ao longo dos anos e que não poderia comentar até que visse alguns "fatos ou provas concretas".

O porta-voz da campanha, J.D. Gordan, afirmou que a imprensa "teme" a força do pré-candidato. "Temendo a mensagem de Herman Cain, que está agitando o cenário político em Washington, a mídia começou a lançar ataques pessoais infundados", afirmou.

A campanha de Cain também respondeu ao Politico por meio do Twitter. "Da equipe HC (Herman Cain): infelizmente, já vimos este filme antes. O sr. Cain e todos os americanos merecem coisa melhor", disse a mensagem.

Contradição

De acordo com o The New York Times, em declarações concedidas ao National Press Club, em Washington, Cain disse que não tinha conhecimento de nenhum acordo pago para as pessoas que o acusaram – uma afirmação que, mais tarde, ele iria contradizer em uma entrevista.

“Foi concluído depois de uma investigação que concluiu que (a acusação) não tinha fundaento”, disse Cain ao ser questionado pelo presidente do Press Club, depois do Politico ter publicado as alegações. “Eu não tenho conhecimento de nenhum acordo. Eu espero que não tenha sido muito, porque eu não fiz nada.”

Mas depois, em entrevista à rede de TV conservadora Fox News, ele disse que “havia algum acordo ou rescisão”, porém “nada grande”.

Na conferência no National Press Club, Cain ridicularizou a reportagem do Politico dizendo que as fontes ouvidas eram anônimas. “Nós não vamos perseguir fontes anônimas, quando não há fundamento para a acusação”, disse. Eu nunca assediei ninguém sexualmente e essas acusações são completamente falsas.

Durante a conferência, Cain só teve de responder a poucas perguntas sobre o assunto, e, depois, as questões se voltaram ao seu projeto para impostos e suas razões para entrar na disputa presidencial.
Quando os presentes pediram ao republicano que cantasse, uma vez que ele ficou conhecido nas redes sociais por entoar uma versão de Imagine, dos Beatles, para a pizza, ele concordou e cantarolou alguns trechos de He Looked Beyon My Faults (Ele olha além as minhas falhas), dizendo que a canção explicaria sua fé e a jornada que ele e o país enfrentam.

“For it was grace that brought me liberty (Pela graça que me trouxe a liberdade)” , cantou. “I’ll never know why Jesus came to love me so. He looked beyond all my faults and saw my needs. (Eu nunca vou saber por que Jesus me ama tanto. Ele olha além das minhas falhas.”

Mas nesta segunda à noite, Cain pareceu minar as últimas afirmações que ele tinha feito na conferência. Enquanto mais cedo ele disse “não ter conhecimento” sobre nenhum trato, o republicano depois deu detalhes a respeito de um acordo em diversas entrevistas.

“A acusação foi arquivada, eles investigaram, e concluíram que não tinha fundamento e sim, houve algum acordo ou rescisão”, explicou à Fox. “Eu nem sei o que continha (na acusação) uma vez que foi considerada infundada não tinha um grande acordo, ou isso teria vindo até mim”, concluiu.

Um artigo publicado pela Washington Examiner, citado pelo The New York Times, disse que Cain deu informações sobre a quantidade de dinheiro paga no acordo. “Talvez tenham sido três meses de salário. Eu nãolembro”, disse. “Devem ter sido dois meses. Eu me lembro do meu conselho dizendo que não pagaríamos tudo o que foi pedido.”

Com informações do The New York Times, EFE e Reuters

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