A prática de exercícios físicos em excesso pode se tornar um vício, segundo uma pesquisa realizada por cientistas da Tufts University, em Washington, Estados Unidos. Os pesquisadores analisaram ratos que realizaram exercícios em excesso, correndo em rodas próprias para a prática.

Logo depois da corrida, os animais receberam uma dose da droga naloxona, que produz sintomas como tremores, movimentos involuntários nas pálpebras e bater de dentes em usuários de heroína.

Ao receber a dose, os ratos apresentaram sintomas de síndrome de abstinência, assim como os viciados em heroína.

Segundo os cientistas, quanto mais exercícios os ratos fizeram, mais sérios foram os sintomas.

"Exercícios, assim como certas drogas, levam à liberação de neurotransmissores como endorfinas e dopamina, que estão associados a sensações de prazer", disse o responsável pelo estudo, Robin Kanarek.

De acordo com os pesquisadores, os resultados podem ser aplicados em novos tratamentos para viciados em drogas. Isso porque a equipe concluiu que, se o excesso de exercícios vicia, talvez, para se sentirem melhor, viciados em drogas devessem ser tratados com exercícios moderados em vez remédios.

Anorexia
O estudo, publicado na edição de agosto da revista científica Behavioral Neuroscience, também ajuda a esclarecer os mecanismos por trás de uma condição conhecida como anorexia atlética.

O doente diagnosticado com essa condição faz exercícios de forma compulsiva para emagrecer e a atividade se torna um vício tão poderoso como a dependência por drogas, levando à perda ainda maior de peso.

Os cientistas alertam, no entanto, que apesar dos perigos dos exercícios em excesso em alguns casos, os resultados da pesquisa não devem servir de desculpa para aqueles em busca de uma desculpa para não praticar exercícios.

"Assim como na alimentação e em outros aspectos da vida, a moderação parece ser a chave. Exercícios, enquanto não interferem com o resto da sua vida, são importantes para a saúde física e mental", disse Kanarek.

Experimento
Durante várias semanas, 44 ratos machos e 40 ratos fêmeas, separados em dois grupos, foram monitorados pelos pesquisadores. Um grupo foi deixado à vontade para se exercitar, o outro foi deixado inativo.

Algum tempo depois, todos os ratos receberam doses de naloxona, um remédio usado para tratar pacientes que tomaram overdoses de heroína e que produz sintomas imediatos de síndrome de abstinência.

Os ratos inativos e ativos responderam de forma bem diferente à droga, que foi administrada em doses proporcionais aos pesos dos animais.

Os que haviam se exercitado apresentaram sintomas similares aos de ratos viciados em narcóticos. Já aqueles que permaneceram inativos apresentaram reações mínimas à droga.

A reação dos ratos ativos à naloxona indica que eles teriam sofrido as mesmas alterações nas regiões dos seus cérebros associadas ao prazer que ratos viciados em drogas.

Segundo os pesquisadores, uma maior compreensão dos comportamentos que provocam a liberação das substâncias químicas associadas ao prazer (como as endorfinas e as dopaminas) no cérebro pode auxiliar na criação de tratamentos que incorporem a prática moderada de exercícios.

Especialistas frequentemente se baseiam em estudos com ratos para pesquisar e desenvolver tratamentos em humanos porque as duas espécies apresentam similaridades em seus sistemas nervosos.

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