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Prachanda: rei do Nepal deverá viver como cidadão comum

Katmandu, 8 abr (EFE).- O líder da antiga guerrilha maoísta do Nepal, Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, declarou que, independente de quem for o vencedor das eleições do próximo dia 10, o país sairá vitorioso, já que o regime monárquico e o rei Gyanendra passarão a fazer parte da História.

EFE |

Em entrevista à Agência Efe, Prachanda disse que o futuro do rei "depende de como ele vai se comportar".

"Se ele aceitar o veredicto das urnas, as massas o perdoarão, e ele terá a oportunidade de se transformar em um cidadão comum; mas se resistir, o povo o fará em pedaços e, caso sobreviva, será julgado e receberá um duro castigo", disse o líder do Partido Comunista do Nepal (maoísta).

Embora as pesquisas digam o contrário, Prachanda está convencido de que seu partido alcançará uma "maioria cômoda" nas eleições para a Assembléia Constituinte.

O pleito é um dos principais termos do acordo de paz que o Governo e os maoístas assinaram em novembro de 2006, colocando fim a uma década de guerra, e que deu início à abertura política no país a partir da abolição da Monarquia.

Para Prachanda, o rei, antes encarado como uma figura divina pelo povo, perdeu apoio quando o príncipe Dipendra, seu sobrinho, matou nove membros de sua família e se suicidou, insatisfeito com a escolha de sua namorada.

O líder maoísta ofereceu ao rei Gyanendra alguma de suas propriedades para que ele possa empreender uma vida comum. "Ele pode até formar um partido político", brincou.

Prachanda descartou a possibilidade de pedir o exílio do rei.

"Conheço a mentalidade de nossa gente. Todos se sentirão mais a vontade caso ele fique aqui, onde não terá chance de conspirar contra a nova República", afirmou.

Embora o acordo de paz deixasse a cargo da Assembléia Constituinte a escolha do futuro sistema político do Nepal, um pacto posterior conduzido pelos maoístas levou o resto dos partidos a concordar com a abolição da Monarquia, e a deixar que a Assembléia simplesmente a ratifique em sua primeira sessão.

A Constituinte servirá, além disso, como um Parlamento interino, e elegerá um novo Governo tão logo seja concluída a redação da Carta Magna.

Para Prachanda, é necessário que a Assembléia eleja um presidente da República com poderes executivos até as próximas eleições. Alguns partidos preferem um sistema parlamentar com um primeiro-ministro à frente. "Não vou ser um presidente cerimonial", disse o líder maoísta.

O processo de paz tem muitos desafios pela frente, dentre os quais a escolha do tipo de República a ser implementada no país.

Será preciso cuidar ainda da harmonização da relação entre o Exército do Nepal e a guerrilha armada maoísta, cujos homens aguardam aquartelados e vigiados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

"O ponto de encontro está na profissionalização do Exército maoísta, e na democratização do Exército real", disse Prachanda.

Ele ressaltou que "todos sabem que nenhum grupo pode vencer completamente, e que a paz é a única alternativa".

"Os dois entendem muito bem que voltar à guerra civil seria destruir esta nação", afirmou.

O líder maoísta garantiu que, mesmo em caso de derrota nas eleições, seu partido se manterá no processo de paz. "Caso sejamos derrotados, cooperaremos com o resto dos partidos e tentaremos ganhar as eleições seguintes", afirmou. EFE ja/rr/gs

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