PPS pede esclarecimento sobre como Zelaya chegou a embaixada brasileira

Brasília, 22 set (EFE).- O Partido Popular Socialista (PPS) pediu hoje ao Governo federal para que esclareça como o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, chegou à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa sob a alegação de que o ocorrido pode se tratar de uma interferência em assuntos internos.

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O presidente do PPS, Roberto Freire, declarou que "como não se trata de um asilo, o que parece ter ocorrido é uma participação da diplomacia brasileira em uma ação clandestina e em uma clara interferência em assuntos internos de outro país".

Derrubado em 28 de junho, Zelaya reapareceu em Honduras nesta segunda-feira na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde recebeu abrigo. O Governo de Luiz Inácio Lula da Silva disse, no entanto, que foi pego de surpresa e que não incentivou seu retorno ao país.

Segundo Freire, o Brasil "ofereceu seu espaço soberano em Tegucigalpa" para a definição de assuntos políticos internos de Honduras, o que considerou como "insólito e perigoso".

Para o presidente do PPS, "se Zelaya fosse um asilado normal, tudo estaria garantido pelas normas e tratados internacionais, mas, neste caso, se trata de uma pessoa que está em Honduras para interferir na política interna".

A Comissão de Relações Exteriores do Senado promoveu hoje um debate sobre o assunto com a presença do diretor do Departamento da América Central e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Gonçalo Mourão, o qual reiterou que Zelaya não era esperado na embaixada brasileira.

"O Brasil foi pego de surpresa", disse Mourão ao explicar que a esposa de Zelaya, Xiomara Castro, apareceu na embaixada e informou ao encarregado de Negócios, Francisco Resende, que seu marido "estava perto" e pedia para ser recebido.

Segundo Mourão, Resende falou com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que por sua vez informou Lula sobre a situação. O presidente então decidiu que Zelaya deveria ser abrigado.

"Zelaya quase que se materializou em nossa embaixada", apontou Mourão.

O diplomata também considerou como "uma agressão" o fato de que o Governo hondurenho tenha mantido a eletricidade e a água cortados na sede da delegação brasileira.

"Não precisamos ver isso do ponto de vista diplomático, pois o bom senso já diz que isso é uma agressão", disse Mourão, que considerou como "uma brutalidade" a ação policial para dispersar os partidários de Zelaya que tinham se reunido em frente à embaixada.

EFE ed/bba

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