PPP nomeia viúvo de Bhutto como candidato à Presidência do Paquistão

Islamabad, 23 ago (EFE) - O governamental Partido Popular do Paquistão (PPP) nomeou hoje o líder da legenda, Asif Ali Zardari, como candidato à Presidência em substituição a Pervez Musharraf, anunciou hoje uma fonte.

EFE |

A votação parlamentar para escolher o presidente será realizada em 6 de setembro.

A direção do PPP já tinha solicitado na sexta-feira a Zardari que fosse o candidato do partido, mas este pediu 24 horas para tomar uma decisão, tempo que a legenda aproveitou para tentar chegar hoje a um consenso com o principal aliado na coalizão de Governo, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), de Nawaz Sharif.

"Zardari concorda em ser o candidato à Presidência" do PPP, assegurou em entrevista coletiva exibida pelas emissoras paquistanesas um dos membros da direção do partido, o senador Raza Rabbani.

O viúvo de Benazir Bhutto "será eleito presidente do Paquistão no histórico dia 6 de setembro", afirmou Rabbani, acompanhado da ministra de Informação paquistanesa, Sherry Rehman.

Os dois faziam parte da delegação que hoje tinha ido a Lahore (leste) para negociar com Sharif.

O líder da PML-N, em entrevista coletiva posterior, condicionou o apoio à candidatura de Zardari à restituição, nesta mesma segunda-feira, dos magistrados expulsos por Musharraf em 2007, com o que adiou em dois dias o prazo anterior que tinha concedido.

"É difícil estabelecer um prazo limite para a restituição dos juízes", disse Rabbani, que acrescentou que o "Paquistão precisa de estabilidade".

Segundo uma fonte do PPP citada pela emissora privada "Dawn TV", a delegação do partido disse a Sharif que os juízes "não podem ser restituídos imediatamente", apesar de esse ser o compromisso do partido com o aliado do Governo.

Rabbani considerou que, apesar da rejeição às pretensões de Sharif, "a coalizão governamental permanecerá intacta".

Afrasiab Khattak, líder do nanico Partido Nacional Awami (ANP, um grupo laico e pashtun), que integra a coalizão de Governo, disse à "Dawn TV" que o partido fará consultas internas durante as próximas 48 horas para decidir se apóia a candidatura de Zardari, coisa que considerou o mais provável.

Por sua vez, o porta-voz da PML-N, Siddiq-ul-Farooq, declarou à mesma emissora que "Zardari não pode ser um candidato neutro", como esta legenda reivindicava, mas insistiu em que a prioridade do partido "é a restituição dos juízes".

Paralelamente às discussões políticas pela sucessão de Musharraf, o Paquistão sofreu hoje mais um dia de violência com 50 mortos em atentados de talibãs e em combates do Exército contra a insurgência.

O dia foi especialmente violento no vale de Swat (norte), onde foram registrados vários atentados contra dois postos policiais, que causaram entre seis e 18 mortos, segundo fontes.

Um terrorista lançou um veículo carregado de explosivos contra o posto policial de Charbagh, dez quilômetros ao norte de Mingora, no distrito de Swat.

A explosão foi tão forte que também destruiu casas e lojas nas proximidades, contou uma fonte da Polícia local citada pela agência oficial "APP", que estimou as vítimas fatais em seis, sendo três policiais.

O canal privado "Geo TV" elevou para nove o número de mortos, sete deles policiais, e disse que 23 feridos foram transferidos para hospitais próximos.

Em comunicado, Zardari condenou o ataque, no qual disse que 15 policiais morreram.

"Semelhantes ataques não vão dissuadir o Governo de extirpar as raízes da militância e do extremismo" no Paquistão, advertiu.

O porta-voz dos talibãs paquistaneses do vale de Swat, Muslim Khan, assumiu a autoria do ataque.

Um segundo atentado foi registrado na região de Abuha, também no vale de Swat, onde um posto policial que estava vazio foi destruído com explosivos detonados por controle remoto.

Três pessoas, entre elas duas crianças que brincavam no local, morreram nesse ataque, e várias outras ficaram feridas, segundo todas as fontes.

Após os atentados, o Exército voltou a entrar em choque com os talibãs de Swat, na conflituosa Província da Fronteira Noroeste.

Os confrontos ocorreram em Kabal e deixaram pelo menos 30 insurgentes mortos, segundo o Exército, embora os talibãs tenham negado.

Uma fonte afirmou à "Geo TV" que três membros das forças de segurança cinco talibãs e uma menina morreram nos combates.

De acordo com esta versão, outros seis civis, entre eles três crianças, ficaram feridos. EFE igb/wr

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