Powell diz que ainda é republicano, mas pede maior abertura ao partido

Washington, 24 mai (EFE).- O ex-secretário de Estado americano Colin Powell afirmou hoje que continua sendo republicano, mas pediu a seu partido que se abra para incluir os mais moderados.

EFE |

Powell fez estas declarações durante uma entrevista ao programa da "CBS" "Face the Nation", no qual respondeu aos comentários do ex-vice-presidente americano Dick Cheney, que há poucos dias questionou sua lealdade ao partido.

"Não sabia que ainda era um republicano", disse Cheney sobre Powell, que apoiou o atual presidente americano, o democrata Barack Obama, durante a campanha eleitoral do ano passado.

Desde que perdeu as eleições presidenciais de 4 de novembro, o Partido Republicano enfrenta uma crise interna, e suas várias alas não param de discutir que rumo a legenda deve tomar para se recuperar.

Na entrevista exibida hoje, o ex-chefe da diplomacia americana declarou que Cheney está "mal informado" e que é, sim, republicano.

Porém, afirmou que se o partido não se abrir continuará perdendo apoio, e que uma guinada ainda maior para a direita afastará mais ainda os eleitores de centro.

Os republicanos "precisam fazer uma análise e decidir que tipo de partido somos", acrescentou Powell.

Recentemente, o senador republicano moderado da Pensilvânia Arlen Specter migrou para o Partido Democrata, alegando que os republicanos estavam se radicalizando.

"Se o partido não continuar buscando novos eleitores, acabará sustentando-se sobre uma base muito limitada", declarou Powel a respeito.

"Sempre senti que o partido republicano deveria ser mais aberto do que tradicionalmente foi", complementou.

O apoio de Powell a Obama foi visto como uma traição por republicanos mais conservadores, como Cheney e o comentarista de rádio Rush Limbaugh.

Powell, que foi secretário de Estado durante o primeiro mandato do ex-presidente George W. Bush, defendeu sua trajetória como republicano, mas também admitiu que deu apoio aos democratas John Kennedy, Lyndon Johnson e Jimmy Carter.

"Durante os 50 anos de voto, votei a favor da pessoa que eu acreditava estar melhor qualificada naquele momento para comandar a nação", disse.

"No ano passado, pensei que era o atual presidente, Barack Obama", afirmou.

Quanto às críticas de Cheney ao fechamento de Guantánamo, Powell disse que a prisão "deveria ter sido fechado nos últimos seis anos" e que deu razões para isso "ao presidente Bush". EFE elv/sc

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