Povos mesoamericanos conheciam aritmética, diz especialista

México, 8 abr (EFE).- Várias culturas pré-hispânicas mesoamericanas dominavam a aritmética, apesar de não terem restado documentos que comprovem isso, como ocorre com os astecas, afirmou hoje a pesquisadora mexicana María del Carmen Jorge y Jorge.

EFE |

Autora de um recente estudo sobre o código aritmético do Império Asteca publicado na revista "Science", a especialista explicou hoje em entrevista coletiva que a única diferença é que no caso dos astecas sobreviverem códices que demonstram isso.

"Não tenho dúvida de que outras culturas do planalto mexicano também usavam medidas aritméticas", afirmou a pesquisadora da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

Outro exemplo citado pela matemática foi o dos maias, cuja linguagem mostra que tinham palavras para designar unidades de medida fracionárias.

A mexicana decifrou com Bárbara J. Williams, especialista da Universidade de Wisconsin (Estados Unidos), o sistema aritmético criado pelos astecas, que incluía frações de unidade para medir e registrar terras, ao estudar dois códices de 1540 e 1544, o de Vergara e o de Santa María Asunción.

Segundo Jorge y Jorge, os dois códex foram elaborados pelos astecas da cidade-estado de Tepetlaoxtoc, a seis quilômetros de Texcoco, no que foi um dos três reinos mais importantes do Vale do México.

Os astecas, após se basear em registros anteriores, usaram os códices para começar um litígio e protestar contra os tributos abusivos cobrados pelos conquistadores espanhóis.

Por isso, os códices contêm um censo detalhado da população da localidade e dos terrenos que possuíam, suas medidas e a qualidade da terra, para demonstrar o rendimento real dos mesmos.

Atualmente, a divisão por parcelas deste terreno continua muito similar à de então, constatou a especialista.

Jorge y Jorge explicou que o registro das superfícies se baseia em um sistema de cálculo similar ao que agora utilizam os Governos para avaliar a terra.

Nas ilustrações das parcelas são usados pontos (20 unidades) e linhas (uma unidade) próprios da numeração asteca, mas também glifos de mãos, setas e corações que representam distâncias inferiores à unidade padrão dos astecas, o tlalquahuitl, que equivalia a cerca de 2,5 metros.

A estes símbolos denominaram de "mônadas" para dar um caráter de unidades individuais de medida e todos eles têm relação em seu nome com o corpo humano.

A flecha equivalia à distância de uma mão a outra quando se vai lançar uma flecha (1,25 metro), a mão era a distância entre elas quando se esticam em forma de cruz ambos os braços (1,5 metro).

O coração era a distância de onde está esse órgão à ponta da mão (1 metro), um braço a distância deste esticado (cerca de 0,83 metro) e um osso equivalia à medida do antebraço (0,5 metro).

"O sistema asteca em vigor antes da chegada dos conquistadores era muito mais ordenado que o dos espanhóis, porque este último tinha divergências terríveis entre algumas regiões e outras", disse Jorge y Jorge, que considerou que ter unidades fracionárias tornava-os "precisos". EFE lga/db

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