Por Marc Frank HAVANA (Reuters) - Esqueça iPods, BlackBerries e outros aparelhos eletrônicos. A maioria dos cubanos ainda espera a instalação de um telefone e menos de cinco por cento deles possui computador, informou o governo nesta quinta-feira.

Segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas sobre o setor de telecomunicações, em 2007 havia 1,2 milhão de linhas telefônicas no país, cuja população é de 11,2 milhões de habitantes.

Cerca de 910.000 linhas de telefone eram residenciais, e o restante estava nas mãos do Estado. Os telefones celulares são apenas 330.000, incluindo os fixos que operam com tecnologia celular.

De acordo com o órgão, havia 4,5 computadores para cada 100 moradores, mas a maioria deles está em instituições do governo, dependências do setor de saúde e escolas.

O relatório foi divulgado dois meses depois de o presidente de Cuba, Raúl Castro, ter legalizado a venda de computadores e telefones celulares, embora o alto custo os deixe fora do alcance da maioria da população.

Antes da permissão de venda, os cubanos conseguiam computadores principalmente no mercado negro e os celulares por intermédio de estrangeiros, que os usam em Cuba desde os anos 1990.

O relatório diz que mais de 10 por cento da população tinha acesso à Internet, mas na maioria dos casos por intermédio da Intranet governamental. Não há informações disponíveis sobre o acesso à Internet por conta própria.

O número de linhas de telefones e computadores dobrou desde 2002, de acordo com o relatório. Até aquele ano não se registrava o uso de telefones celulares.

Em comparação, o México, com uma população de 108 milhões de habitantes, tem 20 milhões de linhas de telefone e 50 milhões de usuários de celulares, de acordo com estatísticas da indústria.

Dados do Banco Mundial mostravam que em 2006 o México tinha 13,6 computadores e 17,5 usuários de Internet para cada 100 pessoas.

As autoridades cubanas culpam o longo embargo dos EUA ao país pela posição de último colocado em comunicações na América Latina e observam que Cuba ocupa o primeiro lugar em saúde e educação na região.

A decisão de permitir a venda de computador e celular é parte das reformas adotadas por Raúl Castro, que substituiu na Presidência, em fevereiro, seu irmão Fidel Castro, e tem como objetivo aliviar as dificuldades econômicas enfrentadas pelos cubanos.

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